Certas palavras… (4)

Corinthians_nA propósito da crise que vive o Corinthians, que não consegue vencer há três jogos e, pior, tomou de 5 do Santos, lembrei-me de outra palavra que marcou época em minha vida.

Em 1968, morava no Ipiranga, em São Paulo, na Rua Xavier Curado.  Nesse ano, completavam-se 11 anos e 22 partidas que o Corinthians não vencia o Santos. Dizia-se então que era preciso quebrar esse tabu da invencibilidade.

Não se falava de outra coisa naqueles dias. O Santos tinha Pelé. E esse era o nome do problema. Ou melhor, esse era o nome do tabu! Como vencer o rei?

A definição de tabu no Aurélio é muito extensa, mas, resumindo-se, tem-se a ideia de que o termo tem a ver com tudo aquilo que é proibido, perigoso… Aqueles onze anos tinham um sabor de proibido, de maldição — por isso, a necessidade de quebra.

No dia 6, de março, quarta-feira, no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, o tabu foi quebrado. O Corinthians, finalmente, venceu o Santos: 2 x 0. O site www.todopoderosotimao.com conta:

“No segundo tempo, o Corinthians começa pressionando e Rivelino chuta uma bola na trave. Logo depois, aos 13 minutos, Paulo Borges faz 1 a 0, após uma tabela com Flávio. Melhor em campo, o Timão segue firme em busca do objetivo. Aos 31 minutos, Rivelino lança Flávio, que aproveita a chance e aumenta: 2 a 0. Depois disso, o time só esperou o juiz encerrar para poder comemorar. Fim do tabu. A torcida invadiu o campo e carregou os heróis como se eles tivessem conquistado um título, gritando e cantando: ‘Com Pelé, com Edu, nós quebramos o tabu’”.

Veja aqui como foi.

Foto: Ivan Pagliarani

Amorim Leite

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Certas Palavras… (3)

IMG_0969Vou relembrar hoje algumas coisas que ouvia de minha mãe.

Dona Maria Amorim nasceu no sertão baiano, assim como meu pai e meus irmãos. Viúva, ela veio para São Paulo em 1958 ou 1959. Éramos cinco filhos. Eu, o caçula com três ou quatro anos de idade. Pulando alguns anos de história, lembro-me de minha mãe costurando (ela foi uma excelente costureira) e cantarolando músicas que falavam de nossa terra. Cintura fina, Asa-branca, A volta da asa-branca, Muié rendeira e tantas outras canções se juntavam ao barulho de sua máquina de costura.

Mandacaru, quando flora no sertão...

Mandacaru, quando flora no sertão…

Quando parentes nos visitavam ou quando meus irmãos se punham a recordar a dura vida que tinham no sertão, ouvia mamãe falar sobre caatinga, açude, seca e outras palavras que só o nordestino sabe seus significados.

Não sei exatamente em que série estava quando li no livro pela primeira vez a palavra “caatinga”. Naquele dia, pensei: olha só, a palavra existe, não é coisa de minha mãe apenas.

IMG_0990Fui ver de perto a tal caatinga apenas em 2008, quando voltei pela primeira vez ao lugar em que nasci. Sou grato à minha mãe, que, embora soubesse ler e escrever, sem nunca ter estudado (para ter o diploma, fez o Mobral), conseguiu passar para todos os filhos esse gosto pelas coisas do Nordeste. (Aliás, Dona Maria – falecida em 13 de fevereiro de 2011 – com toda sua simplicidade, conseguiu criar e formar seus cinco filhos… Quem sabe, um dia, publico aqui um pouco mais de sua história.)

Asa BrancaAinda hoje, claro, ouço Luiz Gonzaga e consigo entender, pelo menos na teoria, o que ele quer dizer quando canta A volta da asa branca, composição de Gonzagão e Humberto Teixeira).

Ouça aqui, com Marina Elali, neta de Zé Dantas e grande parceiro de Luiz Gonzaga, A volta da asa branca

Amorim Leite

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Certas palavras… (2)

 
No post anterior, prometi listar algumas palavras que de alguma forma deixaram marcas em mim à medida que passaram a fazer parte de meu vocabulário.

Hoje, vou falar de uma palavra cantada.

Eu morava em Vila Industrial, em São Paulo, na divisa com Santo André. Tinha uns sete anos de idade. Perto de casa tinha um circo montado. Dele me lembro que tinha um serviço de autofalante que tocava direto uma música que, soube anos mais tarde, era o tema do Quarto Centenário de São Paulo, um “chicletinho” composto pelo acordeonista Mário Zan em 1954. Também me lembro de uma atração que, só de ouvir, me dava medo: o globo da morte.

Certo dia, um caminhão atropelou e matou uma velhinha próximo de minha casa e do circo. Aquele caminhão ficou o dia inteiro parado no local do acidente… Ouvi quando um carro da polícia, a então famosa Rádio Patrulha (RP), chegou com a sirene ligada. Não entendia porque a RP tinha ido para lá fazendo esse barulho… Pensava que era para avisar o criminoso de que não adiantava correr, pois a polícia estava chegando… Coisas de criança…

Via isso de longe, não fui lá perto. Minha curiosidade não chegava a tanto. Talvez fosse medo…

Não sei se foi no dia seguinte ou dois dias depois, fez-se o enterro da velhinha. Ouvi novamente a sirene. Dessa vez, era do carro da funerária.

Ao mesmo tempo que o carro da funerária passava (não me recordo de pessoas acompanhando!), o circo tocava uma música. Não era o Mário Zan. Era Ray Charles: I can’t stop loving you.

Nunca mais deixei de associar essa música com aquele momento de minha infância. Ainda hoje, quando a ouço, sinto o mesmo aperto no coração que tive naquele dia…

Quem será que teve a ideia de tocar aquela música na hora em que o grande amor de alguém se foi?

Ouça aqui I can’t stop loving you.

Amorim Leite

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Certas palavras…

bicletaAo longo dos anos, inúmeros acontecimentos acabam deixando marcas em nossa vida. Umas, mais fortes; outras nem tanto. Desde que me dei por gente, fui incorporando em meu vocabulário algumas palavras que chamaram a atenção, seja pela sonoridade, pelo seu significado ou até mesmo pelas lembranças (acontecimentos) a que elas me remetem.

 Neste e nos próximos posts listarei as que mais marcaram. Mas antes, vou me alongar um pouco mais sobre uma: cafajeste. Tinha uns dez anos de idade quando ouvi pela primeira vez essa palavra. Gostei da sonoridade dela. Soava gostoso aos meus ouvidos. Mas não sabia exatamente seu significado. Mesmo assim, arrisquei. Ao ver passar por mim um sujeito mais velho, de bicicleta, na mesma calçada em que eu caminhava, na Rua Bom Pastor, no Ipiranga, disse em alto e bom som:

 — Ô, CAFAJESTE!

 Conhecia de vista o tal rapaz. Ele trabalhava na administração do Sesi, mesma escola em que eu estudava. Era irmão de uma colega de classe. Não pensei que ele fosse ligar para aquilo. Afinal, o que é ser cafajeste? Engano meu. Ao ouvir a palavra, imediatamente ele freou — sua bicicleta tinha breque de pé, como dizíamos na época (bastava girar o pedal para trás e ela parava) — derrapou, deu um cavalo de pau e veio em minha direção:

 — O que você falou aí?

 — Cafajeste (repeti)!

 E corri. Corri o mais que eu pude. Eu a pé. E ele, o cafajeste, de bicicleta! Ia para um lado, ele ia atrás. Ia para outro, e ele insistia em me perseguir. Já quase sem fôlego de tanto correr, encostei no muro de um dos palacetes dos Jafets da região.

 — Eu me entrego! (achei que dizendo isso, estaria livre daquele cafajeste).

 Nem mesmo terminei a frase e estava no chão. O cara foi rápido. Não me bateu, mas me deu uma rasteira… Nunca mais me esqueci disso. Aprendi: cafajeste não se deve dizer a qualquer um. Principalmente se ele estiver de bicicleta e você, a pé.

 Amorim Leite

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O ‘office-boy’ que queria ser bancário

maq datilo

Gosto de ler as crônicas de Mattew Shirts na Veja São Paulo. Aprecio seus textos desde quando escrevia no Estadão. Na edição de 10 de julho de 2013, Shirts relata seu fascínio por cartórios. “Você pode me achar louco, não seria o primeiro, mas confesso sentir um pequeno prazer em frequentar esse local”, escreveu.

Ao ler o cronista, me lembrei imediatamente do tempo em que fui office-boy e tinha de andar pelos bancos e alguns cartórios do centro da cidade de São Paulo. Ia sempre ao Banco do Brasil, na Rua São Bento com a Avenida São João, em frente ao Edifício Martinelli. Ali ficava a Carteira do Comércio Exterior (Cacex). Meu trabalho, toda sexta-feira, era conseguir a expedição de uma guia de exportação.

Os funcionários trabalhavam bem-vestidos, engravatados. Eram “ricos”, “ganhavam vem”, pensava do lado de cá do balcão. Quando se punham a usar a calculadora (uma manual, que tinha uma alavanca para mudar de linha), era fascinante. Eles não olhavam para o teclado e faziam conta sem errar. Sabiam exatamente a posição dos números na maquininha. E datilografar, então? Era uma loucura. Qualquer que fosse a marca das máquinas de datilografia —Facit, Remington, Olivetti — eles escreviam sem olhar o teclado. Se era copiar, os olhos ficavam o tempo todo no original. Quando terminava a linha, ouvia-se um “plim” e, acionando-se uma alavanca do lado da máquina, começava-se um novo texto.

No escritório da empresa em que eu trabalhava (Granimar), também tinha gente que escrevia sem olhar o teclado. Dizia-se que era assim que um bom escriturário tinha de ser. Só o Wanderley datilografava com dois dedos…

Com meu quinze, dezesseis anos, chegava à conclusão de que nunca seria um bancário se não soubesse datilografar daquele jeito. Assim, nas horas vagas, no escritório, tentava fazer um exercício que as escolas de datilografia ensinavam: com dedos correspondentes, teclava com a mão esquerda asdfg e çlkjh com a mão direita, e assim por diante.

Quando vou aos bancos hoje, já não sinto a mesma emoção de quando ia à Cacex, Caixa Econômica Federal ou outro banco. E fico até assustado quando penso que um dia desejei ser bancário.

Amorim Leite

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Qual é o melhor roteiro para a formatura?

Graduates in Cap and GownNão sei se “há” o melhor roteiro para a formatura. Imagino que ele tenha de ser o menos cansativo possível, como deveria ser qualquer solenidade.

O ideal é ter várias cópias de roteiro, cada uma visando a um profissional diferente. Por exemplo: a cópia do grupo musical ou do operador de vídeo não precisa ter tudo detalhado. Bastam a sequência de itens e o lugar em que haverá música e inserção de vídeo. Uma cópia assim também pode ser usada pelo presidente da sessão.  Já os coordenadores do evento e auxiliares do mestre de cerimônias devem ter tudo detalhado. Isso ajuda a perceber quando há salto no cerimonial.

Abaixo, enumero os principais itens de um roteiro de colação de grau para ao mestre de cerimônias e aproveito para tecer alguns comentários.

Na primeira folha deve constar o nome do evento. Assim:

 SOLENIDADE DE COLAÇÃO DE GRAU

DOS FORMANDOS DE 2012

DOS CURSOS DE

ADMINISTRAÇÃO

CIÊNCIAS CONTÁBEIS

CIÊNCIAS ECONÔMICAS

DA FACULDADE …………………………………………

DA UNIVERSIDADE …………………………………………………….

Quem preparar o roteiro deve estar atento para o nome correto dos cursos, da faculdade e da universidade. Lembre-se: há “faculdade”, “universidade” e “centro universitário”. As letras a serem utilizadas devem ser corpo (tamanho) 14, pelo menos, e em CAIXA ALTA. A cópia do MC dever ser original e bem impressa na cor preta.

As informações acima servirão de base para a abertura do evento pelo MC.

A partir da segunda folha, distribuem-se os itens da solenidade, enumerando-se:

1 — COMPOSIÇÃO DA MESA

  • PROFESSOR DR. (MESTRE) FULANO DE TAL

      MAGNÍFICO REITOR DA UNIVERSIDADE ………..

  • PROFESSOR DR. (MS) BELTRANO DA SILVA

      DIRETOR DA FACULDADE DE …………………………….

  • PROFESSOR DR. (MS) SICRANO DE OLIVEIRA

      COORDENADOR DO CURSO DE ………………………….

  • PROFESSOR DR. (MS) JOSÉ FERREIRA

      PATRONO DA TURMA

  • PROFESSOR DR. (MS) ANTÔNIO FELISBINO

       PARANINFO DA TURMA

  • PROFESSOR DR. (MS) MANOEL PORTUGUÊS

       HOMENAGEADO

  • SR. HERMENEGILDO DA MANUTENÇÃO CERTA

      FUNCIONÁRIO HOMENAGEADO

A mesa acima está em ordem hierárquica. Note que as informações estão cada uma em uma linha. Isso ajuda na leitura do MC. O número de componentes é ímpar, o que é mais adequado. Claro que nem sempre é assim. Às vezes, não se tem o reitor presente. No caso de formatura de faculdade ou colégio, quem presidente é o diretor ou seu representante. O importante é seguir a ordem hierárquica. Apenas o reitor deve ser chamado de Magnífico. Os demais, incluindo vice-reitor, podem ser chamados de digníssimos.

O posicionamento à mesa (note, não é NA mesa; não sentamos NA mesa, sentamos na cadeira!) deve obedecer a hierarquia. Há uma convenção de que à direita do presidente (olhando-se da mesa para o auditório) ficam o patrono e os paraninfos, por serem eles os “mais importantes” para os formandos. Então, à esquerda ficam diretores, coordenadores e professores homenageados. Note bem, essa distribuição tem de levar em conta a quantidade de pessoas. Às vezes, será preciso mudar, prevalecendo o bom senso. Os professores homenageados preenchem os lugares tanto à esquerda como à direita. Funcionários homenageados e representantes de conselhos sentam-se também à direita do presidente, nas cadeiras do final da mesa.

2 — ENTRADA DOS FORMANDOS

Cabe ao mestre de cerimônias anunciar a entrada dos formandos.  A organização do evento deve cuidar para que esse momento seja o mais curto possível. Se possível, formar duas filas. As fotos não devem atrasar essa entrada. A música para esse momento deve casar com o espírito do evento.

3 — MENSAGEM RELIGIOSA/HOMENAGEM PÓSTUMA (Opcional)

Em colação de grau de formandos de cursos como medicina e direito, é muito comum o culto ecumênico no mesmo evento da colação de grau. Hoje isso é menos usual, mas algumas faculdades mantêm o costume. Nesse caso, a convite dos formandos, tem-se um desfile de mensagens proferidas por pastor, padre, representante espírita, rabino, budista e outros religiosos.  Além de se tomar muito tempo do evento, nem sempre esses oradores falam bem, o que acaba por enfear a celebração.

Há duas alternativas aqui: ou se deixa por conta do MC a leitura de um texto ecumênico ou se dá essa tarefa a um formando. Se opção for o formando, a escolha tem de ser a dedo, pois ele pode aproveitar para puxar para determinada seita ou denominação, não agradando a todos.

Já vi casos em que esse item ficou após a abertura oficial da solenidade. O melhor lugar é aqui. A hierarquia é Deus, Pátria e família. Ou seja, primeiro devemos buscar Deus, depois homenageamos a pátria e, na sequência, ficamos com a família e a sociedade.

A homenagem póstuma também deve ser colocada aqui, junto com o culto/mensagem religiosa. Se é para se jogar um balde de água fria no público, falando de alunos e professores que faleceram, que isso seja feito no início. Em qualquer outro lugar, causará mal-estar.

Nightclub Singer

4 — MÚSICA (Opcional)

Complementando a mensagem religiosa, pode-se ter uma música. O problema está na escolha dessa canção. Ela tem de ser a mais ecumênica possível. Se for Ave Maria, de Charles Gonoud, uma peça lindíssima, diga-se de passagem, atenderá apenas os católicos; se for Faz um milagre em mim, de Regis Danese, deixará os evangélicos felizes, embora, por tocar em emissoras de rádio seculares, essa acabou se tornando um hit cantado por seguidores de todas as religiões. Escolheria uma música que falasse de Deus. Se tu quiseres crer, do filme Moisés, o príncipe do Egito é uma opção. Sei que a versão em português é mais para evangélicos do que para católicos, mas ela atende bem o momento. Outra, muito antiga, que valeria a pena ser tirada do baú, é Creio em ti.

Vale a pena ressaltar que o vocalista não tem de falar nada nesse e em nenhum outro momento da solenidade. Basta apenas cantar e receber os aplausos em silêncio. Tudo que precisava ser dito já foi dito pelo MC ou por quem leu o texto!

Leia mais sobre isso em meu post Repertório de músicas para colação

5 — ABERTURA OFICIAL

 O MC passa a palavra para o presidente da sessão abrir oficialmente a solenidade. Se possível, no roteiro devem constar o nome e a função, tal como estão na composição da mesa.

6 — HINO NACIONAL

O presidente da sessão pode solicitar a todos “que se coloquem em pé para entoar o Hino nacional brasileiro”. Se ele não o fizer, o MC assume a direção a anuncia a execução do hino.

Em estabelecimentos de ensino binacionais, canta-se primeiro o hino estrangeiro

Speaker at Podium7 — ORADOR DA TURMA

Para os discursos, a hierarquia é inversa à usada na composição da mesa. Aqui a ordem é crescente, ou seja, do menos importante para o mais importante.

Em casos de mais de um curso, o ideal é um orador representar todos os cursos. Ele deve lembrar que fala EM NOME DA TURMA. Nesse caso, seria muito bom se ouvisse o que os colegas gostariam de dizer. Isso mesmo, para se falar em nome de alguém, tem de se saber o que esse alguém quer que seja dito! Afinal, o orador é o porta-voz dos formandos.

Cuidado! Não é nada interessante a plateia ficar ouvindo histórias, citações de características de professores e até algumas piadas que só os formandos entendem. O orador não pode ocupar o tempo falando de sua própria vida e citando parentes.  Isso só deve ser feito se for relevante para o contexto. Em última análise, se quiser citar experiência pessoal, é preciso pedir licença. Repetindo: o orador fala EM NOME dos colegas; ela não fala PARA os colegas.

Infelizmente, já ouvi formando usar palavras chulas em discursos. Isso, em hipótese alguma, deve acontecer! O discurso de formatura é tão sério que merece passar por uma boa revisão, tanto de conteúdo como de português e até de pronúncia. Mais de uma vez ouvi orador falar “Frêude” para se referir a Freud. São incontáveis as vezes em que se disse “houveram” muitos problemas… Orador de curso universitário não pode cometer esses pequenos deslizes.

Discurso de orador de turma é para ser lido. Não há problema algum em se ler. Pelo contrário, isso mostra que ele se preparou, pesquisou, ouviu os colegas e o resultado está ali.

Paro por aqui. Na próxima semana, prossigo com o assunto. Enquanto aguardam os próximos itens desse roteiro, ouçam uma boa música.

Amorim Leite

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Detalhes tão pequenos… são coisas muito grandes pra esquecer!

Lock on ChainsJá havia pensado neste post antes mesmo de a tragédia de Santa Maria (RS) acontecer. Depois dela, preferi esperar mais uns dias para publicá-lo. O que me levou a escrevê-lo foi o que vi em dezembro numa casa em que trabalhei como mestre de cerimônias em dezembro.

Apresentei ali dois eventos. Um, só colação. O outro, no dia seguinte, conjugado — colação de grau seguida de baile. Já no primeiro dia, percebi que uma das saídas de emergência estava trancada com cadeado, mas, como sempre sou considerado chato por chamar a atenção sobre detalhes como esse, fiquei quieto e não falei nada ao coordenador do evento.

No conjugado, a coordenação estava por conta de outro profissional. E este, logo percebendo o que já tinha constatado antes, chamou a gerente da casa. “Essa porta sempre fica trancada, nunca abrimos”, justificou. “Mas preciso que fique aberta, sem cadeado, pois nunca se sabe quando os acidentes vão ocorrer”, respondeu o coordenador.

Nem é preciso enfatizar aqui quão importante é vistoriar a “casa” antes de as portas se abrirem para se checar se está tudo em ordem, principalmente a questão da segurança. Outro dia, liguei para uma coordenadora de uma empresa para confirmar minha contratação. Ao atender ao telefone, ela me disse: “Estamos indo até o Anhembi fazer uma visita técnica”. É isso, visita técnica! Quantas são feitas antes de se locar determinado espaço? À propósito, o salão que estava com a porta de emergência trancada não consta na lista de alvarás aprovados divulgada pela prefeitura paulistana…

Tapete vermelho, sinal de perigo!

Red rope barrier detail on red carpetOs vários profissionais que atuam no evento precisam estar muito bem envolvidos entre si, de maneira que a ação de um não gere problema para outro. Recentemente, soube que uma convidada tropeçou em um tapete colocado para servir de passarela pelos formandos e acabou se machucando. Ou seja, a decoração não avaliou o quanto seu “enfeite” era seguro e pensou apenas na beleza. Resultado: o tapete precisou ser retirado antes que causasse mais acidentes, já que várias pessoas nele tropeçaram.

Outra decoração que vi estava maravilhosa. Um conjunto de árvores secas formava um corredor por onde os formandos deveriam passar para tomar seus lugares. Porém, quando assumi o púlpito, não via o público. E este, além de não me ver e aos que ocupavam a tribuna, não viam a mesa. O que era mais importante naquela celebração? A decoração ou os professores sentados à mesa prontos para colar grau em seus formandos?

Flag of BrazilMais um detalhe “tão pequeno” é o posicionamento das bandeiras. Ele não diz respeito à segurança, mas é importantíssimo em se tratando de cerimoniais. É fácil lembrar. Fique no auditório e olhe para o palco. As bandeiras devem ficar do lado esquerdo e o púlpito (tribuna), do lado direito. Quando se têm três bandeiras, a ordem é esta: Brasil, no meio; Estado de São Paulo, à esquerda; e cidade de São Paulo ou outro município, à direita. Se em vez do lábaro municipal, entrar o da instituição de ensino, vale a mesma ordem. Aliás, essa é a mesma hierarquia que se usa para assentar autoridades à mesa. O mais importante senta-se no centro; o segundo mais importante à sua direita; o terceiro mais importante, à sua esquerda e assim por diante.  Note bem: do ponto de vista da plateia, o segundo mais importante senta-se à esquerda de quem está no centro.

Decreto federal

Isso tudo está previsto no Decreto Federal Nº 70.274, de 9 de março de 1972. Veja especialmente o que diz o Artigo 31:

“A Bandeira Nacional, em todas as apresentações no território nacional, ocupa LUGAR DE HONRA compreendido como uma posição:

I —Central ou mais próxima do centro e à direita deste, quando com outras bandeiras, pavilhões ou estandartes, em linha de mastros, panóplias, escudos ou peças semelhantes;

II — Destacada à frente de outras bandeiras, quando conduzida em formaturas ou desfiles;

III — À direita de tribunas, púlpitos, mesas de reunião ou de trasbalho.

Parágrafo único — Considera-se direita de um dispositivo de bandeiras a direita de uma pessoa colocada junto a ele e voltada para a rua, para a platéia ou, de modo geral, para o público que o observa o dispositivo.”

Deu zebra!MP900289122

Parece piada, mas é verdade. Em um evento no Memorial da América Latina, em que se teria a presença do vice-presidente da República e outras autoridades federais, estaduais e municipais, os homens do cerimonial da Presidência da República, ao verem as fitas zebradas esticadas sobre as primeiras fileiras do auditório, indagaram se havia ocorrido um crime ali… Imediatamente elas foram retiradas!

Para terminar: profissional que trabalha com público não pode mascar chiclete durante sua atividade. E isso vale para coordenadores, recepcionistas, fotógrafos, cinegrafistas, operadores de som e vídeo, músicos, faxineiros, etc!

Opa, ia esquecendo. Recepcionistas, cuidado ao se abaixar para pegar um botão de rosa no chão: sua calcinha não precisa ser vista pelo público…

Tudo isso podem ser apenas pequenos detalhes. Mas esquecidos, podem se tornar coisas grandes e até virar tragédias!

Amorim Leite

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