Detalhes tão pequenos… são coisas muito grandes pra esquecer!

Lock on ChainsJá havia pensado neste post antes mesmo de a tragédia de Santa Maria (RS) acontecer. Depois dela, preferi esperar mais uns dias para publicá-lo. O que me levou a escrevê-lo foi o que vi em dezembro numa casa em que trabalhei como mestre de cerimônias em dezembro.

Apresentei ali dois eventos. Um, só colação. O outro, no dia seguinte, conjugado — colação de grau seguida de baile. Já no primeiro dia, percebi que uma das saídas de emergência estava trancada com cadeado, mas, como sempre sou considerado chato por chamar a atenção sobre detalhes como esse, fiquei quieto e não falei nada ao coordenador do evento.

No conjugado, a coordenação estava por conta de outro profissional. E este, logo percebendo o que já tinha constatado antes, chamou a gerente da casa. “Essa porta sempre fica trancada, nunca abrimos”, justificou. “Mas preciso que fique aberta, sem cadeado, pois nunca se sabe quando os acidentes vão ocorrer”, respondeu o coordenador.

Nem é preciso enfatizar aqui quão importante é vistoriar a “casa” antes de as portas se abrirem para se checar se está tudo em ordem, principalmente a questão da segurança. Outro dia, liguei para uma coordenadora de uma empresa para confirmar minha contratação. Ao atender ao telefone, ela me disse: “Estamos indo até o Anhembi fazer uma visita técnica”. É isso, visita técnica! Quantas são feitas antes de se locar determinado espaço? À propósito, o salão que estava com a porta de emergência trancada não consta na lista de alvarás aprovados divulgada pela prefeitura paulistana…

Tapete vermelho, sinal de perigo!

Red rope barrier detail on red carpetOs vários profissionais que atuam no evento precisam estar muito bem envolvidos entre si, de maneira que a ação de um não gere problema para outro. Recentemente, soube que uma convidada tropeçou em um tapete colocado para servir de passarela pelos formandos e acabou se machucando. Ou seja, a decoração não avaliou o quanto seu “enfeite” era seguro e pensou apenas na beleza. Resultado: o tapete precisou ser retirado antes que causasse mais acidentes, já que várias pessoas nele tropeçaram.

Outra decoração que vi estava maravilhosa. Um conjunto de árvores secas formava um corredor por onde os formandos deveriam passar para tomar seus lugares. Porém, quando assumi o púlpito, não via o público. E este, além de não me ver e aos que ocupavam a tribuna, não viam a mesa. O que era mais importante naquela celebração? A decoração ou os professores sentados à mesa prontos para colar grau em seus formandos?

Flag of BrazilMais um detalhe “tão pequeno” é o posicionamento das bandeiras. Ele não diz respeito à segurança, mas é importantíssimo em se tratando de cerimoniais. É fácil lembrar. Fique no auditório e olhe para o palco. As bandeiras devem ficar do lado esquerdo e o púlpito (tribuna), do lado direito. Quando se têm três bandeiras, a ordem é esta: Brasil, no meio; Estado de São Paulo, à esquerda; e cidade de São Paulo ou outro município, à direita. Se em vez do lábaro municipal, entrar o da instituição de ensino, vale a mesma ordem. Aliás, essa é a mesma hierarquia que se usa para assentar autoridades à mesa. O mais importante senta-se no centro; o segundo mais importante à sua direita; o terceiro mais importante, à sua esquerda e assim por diante.  Note bem: do ponto de vista da plateia, o segundo mais importante senta-se à esquerda de quem está no centro.

Decreto federal

Isso tudo está previsto no Decreto Federal Nº 70.274, de 9 de março de 1972. Veja especialmente o que diz o Artigo 31:

“A Bandeira Nacional, em todas as apresentações no território nacional, ocupa LUGAR DE HONRA compreendido como uma posição:

I —Central ou mais próxima do centro e à direita deste, quando com outras bandeiras, pavilhões ou estandartes, em linha de mastros, panóplias, escudos ou peças semelhantes;

II — Destacada à frente de outras bandeiras, quando conduzida em formaturas ou desfiles;

III — À direita de tribunas, púlpitos, mesas de reunião ou de trasbalho.

Parágrafo único — Considera-se direita de um dispositivo de bandeiras a direita de uma pessoa colocada junto a ele e voltada para a rua, para a platéia ou, de modo geral, para o público que o observa o dispositivo.”

Deu zebra!MP900289122

Parece piada, mas é verdade. Em um evento no Memorial da América Latina, em que se teria a presença do vice-presidente da República e outras autoridades federais, estaduais e municipais, os homens do cerimonial da Presidência da República, ao verem as fitas zebradas esticadas sobre as primeiras fileiras do auditório, indagaram se havia ocorrido um crime ali… Imediatamente elas foram retiradas!

Para terminar: profissional que trabalha com público não pode mascar chiclete durante sua atividade. E isso vale para coordenadores, recepcionistas, fotógrafos, cinegrafistas, operadores de som e vídeo, músicos, faxineiros, etc!

Opa, ia esquecendo. Recepcionistas, cuidado ao se abaixar para pegar um botão de rosa no chão: sua calcinha não precisa ser vista pelo público…

Tudo isso podem ser apenas pequenos detalhes. Mas esquecidos, podem se tornar coisas grandes e até virar tragédias!

Amorim Leite

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2 respostas para Detalhes tão pequenos… são coisas muito grandes pra esquecer!

  1. Ricardo Olah disse:

    Bom artigo Amorim! Que tal um tema sobre cerimoniais com Libras?

    • amorimleite disse:

      Ricardo:
      Primeiro, obrigado por me “acompanhar”. Já há tempos que tenho notado que me “segue”….

      Sobre Libras, acho interessante, sim. As formaturas do Unisantana sempre têm intérpretes. Lá há um departamento de inclusão e, mesmo que não haja formandos surdos, sempre enviam dois intérpretes.

      Este ano, mudou a empresa que organiza as formaturas oficiais lá. E ela tem outro MC.

      Talvez, pegando o gancho do Unisantana e apontando-a como exemplo, possamos desenvolver alguma coisa.

      Se você tiver um material para me ajudar, me mande. Se for o caso, até entrevisto a Lilian…

      É isso! Um forte abraço, meu irmão!

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