Conheça Bel Pesce, a garota empreendedora de 24 anos

Mais uma vez convido os leitores do meu blogue para assistir a um vídeo muito interessante. Trata-se de uma reportagem com uma garota paulistana de 24 anos de idade que já está fazendo sucesso nos Estados Unidos, onde mora atualmente, com a empresa que ajudou a criar na área da informática. Simpática, comunicativa, ela conseguiu passar muitas dicas boas na entrevista que deu à Ana Maria Braga na manhã de hoje, quarta-feira. Assista ao vídeo.

Amorim Leite

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Para onde caminharão os convites de formatura?

Dando continuidade à lista de ideias e costumes em cerimônias de formatura, hoje vou escrever sobre os con-vites. Meu primeiro contato com eles também foi na Spínola, uma das pioneiras do ramo de formatura.

Essa empresa já não existe, mas deixou seu legado. Muito do que se vê por aí teve seu início na Spínola. Principalmente os textos e modelos dos convites. Fui contratado pela empresa como técnico em artes gráficas. Felizmente, trabalhei sem-pre muito próximo da Evani, chefe do setor de Produção de Contratos e esposa do José Luiz Spínola. Meu papel era preparar os convites para execução a partir da descrição do vendedor ou representantes instalados nos escritórios regionais em Curitiba, Belo Hori-zonte, Rio de Janeiro e Recife. Minha colega, a Malu, cuidava dos contratos fechados pelos vendedores de São Paulo. Eu, dos que vinham dos regionais.

O recorde de contratos fechados passou dos quatrocentos numa temporada. Nessa época, as festas ainda não integravam o pacote oferecido pelas empresas. Seus principais produtos eram o convite, a participação (convite simplificado), o canudo e as placas de homenagem para os professores. Fotos, filmagem e bandas de baile eram contratados diretamente pelas comissões de formatura.

Até os anos 1990, o carro chefe das empresas eram os convites. Por isso, no início de cada ano, quando se faziam os primeiros contatos junto às comissões de formatura, as empresas sempre tinham uma coleção nova. Para se ter ideia de como isso era levado a sério, na Spínola, redator e designer eram contratados para desenvolver sigilosamente as novas coleções. Quando tudo estava pronto, toda a área comercial passava o dia numa espécie de convenção de vendas e ali era apresentada a coleção.

Essa coleção tão esperada vinha numa mala muito grande especialmente confeccionada — e tinha nome. Uma das últimas chamava-se Cultural 80. Conta-se que, certa vez, Abbud, um vendedor muito forte — uns 120 kg de massa e quase 2 metros de altura — foi participar de uma reunião de apresentação dos produtos a uma comissão de formatura no interior de São Paulo. Encontrando a porta trancada pelo concorrente, não teve dúvida: lançou mão do mostruário e usou-o como ferramenta para destruir a fechadura daquela porta, tal era o peso da mala. Sua iniciativa teve êxito — o contrato foi assinado com a Spínola.

Houve um tempo em que não se podia falar de convites de formatura sem pensar em veludo, acessórios metálicos e hot stamping (gravação a quente). Os convites gráficos, sem veludo e sem acessórios, eram considerados “de segunda”. Alguns vendedores se recusa-vam a levar em seus mostruários opções que não fossem de veludo. Como imaginar um curso de direito, engenharia ou medicina sem um convite emperiquitado?

Muitas vezes, a capa do convite, sozinha, era responsável por mais de 50% do valor de venda do convite, pois os vendedores gostavam de enfeitá-la: tinha de ser dura (veludo empastado em papelão de 2 ou 3 milímetros de espessura), ter sobrecapa e incluir medalha cunhada com o emblema do curso — Hipócrates, por exemplo, para medicina —, moldura também cunhada, chapa de latão com o nome da faculdade impresso em silk screen (serigrafia) e gravação em hot stamping com o nome da turma ou ano da formatura.

Até pouco tempo, havia uma procura muito grande por modelos temáticos, demandando muita pesquisa tanto de texto como de imagem. Eu mesmo ajudei a Dorana Forte Real a produzir vários deles para turmas de direito, administração, medicina e engenharia. Grá-ficos e impressos em offset, esses modelos, além das fotos das turmas por classe, incluíam junto ao nome do formando uma minifoto identificando-o.

Muita gente guarda até hoje o convite de formatura. Valioso tanto quanto o diploma recebido, de luxo ou não, ele será sempre o símbolo desse rito de passagem que tem atra-vessado gerações e gerações. Embora já se tenha tentado transformá-lo em CD (veja meu post aqui), será que, em plena era digital e com todo esse movimento de preservação do meio ambiente, o convite continuará se apresentando do mesmo jeito? Alguém tem uma ideia?

 Amorim Leite

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Música nas formaturas

Nesses mais de trinta anos atuando como mestre de cerimônias, testemunhei inúme-ras tentativas de se fazer uma colação de grau ou um baile diferentes. Neste post,dou uma passeada pelas bandas.

Nos anos 1980, as músicas que se ouviam nas colações de grau eram interpretadas por corais. Um dos mais requisitados, principal-mente por formandos em direito e medicina, era o Baccarelli, regido por seu criador — Sílvio Baccarelli — ou por outros maestros como Edilson Venturelli. De igual modo me lembro do Comunicação São Paulo. Quem o regia era um padre. Havia outros corais menores, alternativos. Mas esses dois estavam pratica-mente em todas as grandes formaturas.

O problema dos corais era o som. Como o Palácio das Convenções do Anhembi era o palco dessas formaturas, ficava muito complicado sonorizar. O espaço administrado pela pre-feitura paulistana tinha uma norma: não se podia ligar nada em sua mesa de som. Então, ou a empresa organizadora pagava mais para se ter um coral “audível” e “entendível” ou tinha-se que dormir com um canto daqueles.

Para ajudar, o coral se posicionava embaixo, no nível do auditório, não aparecendo para os formandos. Com os poucos microfones que o Anhembi cedia, o som não era captado com qualidade suficiente para ser ouvido por turmas grandes, com mais de cem formando — direito das Faculdades Metropolitanas Unidas, por exemplo, sempre reunia mais de qua-trocentos participantes.

Foi justamente para corrigir esse problema que as bandas, que até então só tocavam nos bailes, foram contratadas para atuar também nas colações. Para diferenciar esses grupos das bandas de baile, convencionou-se chamá-los de corais.

Um dos primeiros grupos a entrar no filão da colação de grau foi o Dimensão 5. Além de levar som próprio, eliminando o do Anhembi, que não era uma “Brastemp”, tinha um teclado com seu respectivo tecladista e três ou quatro vocalistas. Outra banda que se destacava como coral era a Reveillon. Essa levava vários instrumentos, além do teclado — contando percussão, metais, guitarra, contrabaixo (tocado pelo saudoso João Barão) e dois vocalistas, o grupo contava quase sempre com uns dez integrantes. O Super Som TA também entra nessa lista com muitos integrantes e som ao vivo.

A Banda Saint Paul, que pertencia ao Baccarelli e era seu produto para os bailes, entrou também para o grupo de “corais”. No final dos anos 1980, separou-se da organização e ganhou vida própria administrada por Flávio Romeo, seu baterista, que acabou enveredando-se na carreira de mestre de cerimônias. Essa mesma cisão gerou a banda Free Som, cujos integrantes eram todos garotões na faixa dos 20 aos 25 anos e, bem por isso, tinha um repertório mais roqueiro, espelhando a juventude dos músicos.

Mais tarde, já no final dos anos 1990, surgiu a Banda Primeira Mão. Como coral, sua formação era eclética: às vezes era quarteto, às vezes um grupo maior, com dez cantores, além do tecladista. Uma parada aqui: essa banda inovou muito em todos os quesitos nos bailes. Com palcos automatizados em cenário sempre luxuoso, a Primeira Mão se destacou pelas coreografias incrementadas e instrumentistas e vocalistas sempre de muita qua-lidade. Bem por isso, seu cachê era um dos mais caros. No auge da fama, quatro ou cinco anos atrás, seu líder resolveu tirar o time de campo, ou melhor, do palco.

Alguns anos antes da Primeira Mão, quem deixou os formandos sem sua música também de qualidade foi o Dimensão 5. Atuando hoje ainda há grupos excelentes. Não mencionarei aqui seus nomes porque temo cometer injustiça. Volto aos grupos já citados no início do texto: o Baccarelli ainda atua no mercado com seus grupos musicais apresentando-se principalmente em casamentos e em outras cerimônias sociais do gênero. Além disso, Silvio Baccarelli, seu mentor, continua sendo um nome respeitadíssimo no meio musical. Por meio de sua criação, o Instituto Baccarelli, esse maestro está ensinando milhares de crianças a se tornar músicos. E um dos gerentes desse instituto que tem sua sede na Estrada das Lágrimas, na região do bairro Heliópolis, em São Paulo, é Edilson Venturelli, aquele que regeu por muito tempo os grupos que se apresentavam nas formaturas.

 Não sei que fim levou o Comunicação São Paulo. O Super Som TA continua na ativa, o mesmo acontecendo com as bandas Saint Paul e Free Som. Talvez influenciadas pelo meio que atuam ou atuavam, esses grupos acabaram dando frutos e  “formando” profis-sionais. Hoje, muitos deles estão em emis-soras de televisão ou tocam ou cantam ao lado de artistas renomados. Sem falar da-queles que escolheram atuar sozinhos e estão nos navios rodando o mundo ou criaram a própria banda.

Amorim Leite

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Vitório, o garoto engenheiro

 Morei, nos anos 1960, dos sete aos catorze anos de idade, na Rua Xavier Curado, bem próximo ao Museu Histórico da Universi-dade de São Paulo (Museu do Ipiranga). Quase na esquina de casa, na Costa Aguiar, morava o Vitório. Muitos garotos da minha turma do Ipiranga ainda estão em minhas lembranças. Mas o Vitório é um dos que mais marcaram minha pré-adolescência.

Ele era uns dois ou três anos mais velhos do que os integrantes da turma daquele pedaço. O que o diferenciava era a habilidade que tinha em confeccionar ou aprimorar os próprios brinquedos. Era um engenheiro. Ele comprava o pião de madeira numa papelaria e customizava a seu jeito. Ninguém tinha um brinquedo igual. Um dia, ele apareceu na rua com um pião feito da cabeça de um pau de vassoura. E rodava, sim.

Suas pipas não eram comuns. Enquanto a maioria de nós as comprava prontas, Vitório as confeccionava. Conseguia construir pipas de todos os modelos possíveis e inimagináveis. Do “garanhão” (quadrado sem rabiola e sem enfeites) a modelos sofisticados, com formatos até em 3 D, como os do avião 14 Bis, da águia e do peixe. Os maiores, empinados com cordonê, uma espécie de barbante mais grosso do que a linha 24 (ou 50, não me lembro), eram chamados por ele de “lata de óleo”, “barraca” e outros nomes. Aliás, à pipa de hoje, que corta a linha e deixa a molecada alucinada, chamávamos “barrilete”.

Naquela época, em São Paulo não se usava cortante na linha. Isso era costume dos cariocas. Aqui predominavam as arraias coloridas, que não davam piruetas em busca de outras pipas. Para nos deixar ainda mais invejosos com relação às habilidades levava para empinar seus quadrados uma carretilha – feita por ele mesmo, claro. “Dava linha” e “recolhia” com a maior facilidade. Nós, sem jeito nenhum para construir carretilha ou pedíamos para ele fazer uma para nós ou continuávamos a enrolar a linha em latas de óleo, de molho de tomate, de leite em pó, etc.

Tudo que víamos nas mãos de Vitório, queríamos para nós. E ele fazia sem exploração. Não me lembro quanto pagávamos para isso. Mas eu mesmo tive vários brinquedos feitos ou customizados por ele. Um ioiô de madeira, por exemplo, que ia até perto do chão e continuava girando até que um pequeno tranco o trazia de volta às mãos está na lista dos brinquedos de que mais gostava. Quanto a fazer malabarismos com o ioiô, isso nunca aprendi. Certa vez, cheguei a entrar em um concurso de quadrados na escola em que estudava. Porém, como o modelo que levei para empinar foi feito pelo nosso amigo, não consegui tirar do chão. Era, se não me engano, uma “barraca”, um quadrado enorme, quase do meu tamanho, com armação de varetas japonesas grossas.

Pensei em escrever sobre o Vitório depois que assisti ao filme A Invenção de Hugo Cabret. Hugo é um garoto de doze anos que vive em uma estação de trem em Paris no começo do século 20. Seu pai, um relojoeiro que trabalhava em um museu, morre momentos depois de mostrar a Hugo a sua última descoberta: um androide, sentado numa escrivaninha, com uma caneta na mão, aguardando para escrever uma importante mensagem. O problema é que o menino não consegue ligar o robô, nem resolver o mistério. Na busca de solucionar o problema e colocar o androide em movimento, o garoto se envolve em muitas enrascadas. Numa delas, há um diálogo em que uma senhora diz algo mais ou menos assim: “Estamos nesse mundo para consertar as coisas, juntar as peças…”.

Acho que era isso o que Vitório fazia com muitos de nós. Além de juntar ou consertar as peças e colocá-las em movimento, ele incluía nelas algo mais. E era isso que me fascinava. Desde que mudei da Xavier Curado, nunca mais vi o Vitório. Seria ele hoje um engenheiro, um administrador ou um médico? Espero que, qualquer que seja a profissão que tenha escolhido, que ele continue juntando peças, consertando coisas e ajudando a vida a ser melhor.

Amorim Leite

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Contratação de empresa de formatura: fuja da dor de cabeça!

Já foi o tempo em que os formandos corriam em dezenas de lugares diferentes para encomendar sua festa. Além da trabalheira danada que isso dá, exigindo tempo que nem se tem até mesmo para estudar, a responsabilidade de gerenciamento é muito maior. São mil vencimentos de contas e, por mais que se organizem e utilizem as novas tecnologias — estas, aliás, cada dia mais surpreendentes —, não há quem consiga fazer tudo sozinho sem a ajuda de uma assessoria empresarial que centralize nela todos os serviços. O melhor é deixar tudo na mão de uma empresa. E, se ela for sólida, não há nada que dê dor de cabeça ou tire o sono de uma comissão de formatura.

A cada dia surgem novas empresas nessa área, todas oferecendo de tudo, mas poucas cumprindo suas promessas. Os produtos e serviços têm mudado constantemente. A clientela, por sua vez, tem se tornado cada dia mais exigente. Alunos, pais, professores e direção. Qualquer um pode compor uma comissão de formatura, desde que tome alguns cuidados e tenha em mente que a responsabilidade é a exigência número um.

Cabe à comissão de formatura a negociação e a contratação de uma empresa que atenda da melhor maneira seus interesses e que se tornará responsável pela realização de eventos como a solenidade de colação de grau (festiva ou oficial), baile de gala, viagens e outros tipos de atividade. Algumas instituições de Ensino Superior, como a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, têm um manual de formatura para ajudar os formandos a escolher a empresa.

Para fugir de assessorias que deixam os formandos na mão, como se viu recentemente na mídia, aqui vão algumas dicas de como contratar e seguir com a cabeça mais tranquila ate´a realização dos eventos.

  1. Faça uma lista de empresas especializadas em formatura. Hoje, com a ajuda da Internet, isso é fácil.
  2. Consulte, pelo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), a situação de cada uma delas perante o fisco, para certificar-se de que o histórico delas é bom.
  3. Faça uma busca também pelos cartórios para saber se há protestos.
  4. Solicite orçamentos para a quantidade de alunos que irão se formar, assim, já será quase que estipulado o preço de maneira individual para cada formando.
  5. Com os orçamentos em mãos, vá a alguns eventos organizados pelas empresas. Nas colações, aja como um espectador normal e procure observar todos os detalhes, anotando aquilo que o agrada e desagrade. Como nos bailes não há como entrar sem convite, peça para a empresa lhe levar a mais de uma festa. Circule pelo salão, observe tudo, desde a entrada na portaria, para ver como se comportam os profissionais, até os bastidores em que são preparadas as comidas.
  6. Procure opiniões de formandos que fizeram suas festividades com essas empresas. Saber se gostaram ou não é essencial para a escolha.
  7. Faça uma lista de prós e contras. E conte também com detalhes que, a princípio, não parecem importantes, como qualidade dos alimentos e bebidas, iluminação, decoração, som, coral e banda, mestre de cerimônias, toaletes, palco e até mesmo a toalha da mesa com os arranjos florais.
  8. Não esqueça, é claro, de observar como é o tratamento dessas empresas para com o público, formandos e corpo docente. Gentilezas e educação são essenciais em um evento de formatura.
  9. Faça reuniões constantes (comissão e empresa) para tirar todas as dúvidas e ainda propor novas ideias.
  10. Não esqueça de consultar a direção de sua escola para saber se o cerimonial a ser  seguido na colação de grau está de acordo com o sugerido pela empresa contratada.

A assessoria da empresa especializada é a base de uma boa formatura. Pesquise bastante, escolha e depois comemore com o diploma em mãos.

Marina Ogawa e Amorim Leite

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Nada é por acaso!

Costumo passar em frente à Granimar, uma empresa de manufatura de mármores e granitos instalada na Rua Alencar Araripe, no Sacomã, em São Paulo. Ela foi meu primeiro emprego. Ali comecei como officeboy. Anos atrás, ela foi vendida e já não tinha a força e liderança de mercado que sempre teve. Recentemente, fe-chou.

Mesmo sem atividade nos últimos anos, talvez por conta de uma concordata, seus portões permaneciam fechados, mas as instalações estavam no lugar, atrás de um muro alto. Até mesmo a logomarca verde e preta ainda estava impresso em um de seus grandes portões. No final do ano passado, o cenário começou a mudar. Iniciava-se a demolição do prédio e uma placa anunciava: ali seria construída uma EMEF, Escola Municipal de Ensino Fundamental.

Ao ver aquele galpão e prédio administrativo irem abaixo, imediatamente me veio à mente o tempo em que ali passei, as pessoas com quem convivi e aprendi muito durante cerca de quatro anos. Entrei com catorze e saí com dezoito anos.

Cláudio e Guido Bissi, dois irmãos de origem italiana, eram os donos da Granimar. Guido, o mais novo, era um sujeito bonitão e lembrava um artista de cinema. Adorava tirar fotos de suas viagens. Os rolos de filme eu levava para serem revelados e ampliados na Fotoptica da Rua São Bento, no centro de São Paulo. Durante anos, Guido foi o presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos do Estado de São Paulo. Adorava praia, tinha lancha e vivia bronzeado. Ambos eram casados. Guido morreu novo, vítima de câncer, e Cláudio continuou tocando o negócio sozinho.

Meu trabalho era diretamente ligado à área comercial, cujo gerente, um gaúcho muito gente boa se chamava Cirilo Hermínio Tissot – faz pouco tempo, tive o privilégio de ser o mestre de cerimônias da colação de grau de seu filho (não me lembro de que faculdade). Além de minhas tarefas corriqueiras – Correios, pagamento de títulos, despacho de malotes, etc. — para o “seu” Cirilo eu tinha um compromisso diário: comprar o Jornal da Tarde.

O Jornal da Tarde, nos anos 1970, era um diário despojado. Reunia grandes nomes do jornalismo brasileiro e tinha uma diagramação totalmente fora do padrão, pois era impresso em offset. Chamava-se Jornal da Tarde justamente porque, ao contrário de seu irmão mais velho, o Estadão, chegava às bancas por volta das 11 horas da manhã.

Gostava de ler aquele jornal. E o fazia sempre no ônibus, na volta para o escritório. Na época, um dos textos de que mais gostava era de um certo escritor chamado Nelson Rodrigues. Suas crônicas eram publicadas diariamente. De alguma maneira, ele sempre encaixava em suas tiradas antológicas esta expressão: “Óbvio ululante”. Não sabia quem era Nelson Rodrigues nem o que era “óbvio ululante”, mas gostava do que ele escrevia.

Também eram cronistas do Jornal da Tarde Lourenço Diaféria, Frederico Branco e até um diplomata — José Osvaldo de Meira Pena. Devorava aqueles textos sem saber que aquilo era um forte indício de que dentro de mim havia um futuro jornalista.

As reportagens do Jornal da Tarde também eram diferentes. Já na faculdade é que fui saber que aquela maneira de escrever se chamava “novo jornalismo” e teve origem num autor americano chamado Truman Capote. Vide seu livro A Sangue Frio, de 1966. Entre os repórteres da época, os que mais me atraíam eram Marcos Faerman e Fernando Portela.

Quando cursava o Ensino Fundamental, antigo ginásio, era editor e redator de O Pernalonga, um jornalzinho do centro cívico. Era jornalzinho mesmo, pois seu formato era uma folha A4 dobrada ao meio. Meus colegas da Granimar me ajudavam na sua produção.

Naquela época, havia dois tipos de impressão: à quente (tipográfica) e à frio (offset). Para que O Pernalonga fosse impresso em offset, era necessária uma arte. E essa arte começava com a “composição” dos textos. Como eu não era bom em datilografia, um dos companheiros de trabalho fazia isso para mim. Então, eu pegava aquelas tiras de textos datilografadas, colava em outra folha de papel – dava-se a essa ação o nome de pastup –, onde também estavam ilustrações em nanquim feitas por outro colega, e levava a “arte” para uma gráfica fazer fotolito e imprimir em duas cores — vermelho e preto. Distribuía os exemplares no então Ginásio João Maria Pires de Aguiar.

Hoje, voltando tanto tempo atrás, vejo confirmada a ideia de que nada é por acaso e de que Deus coloca as pessoas certas no momento certo em nosso caminho. Talvez tenha sido essa também a conclusão de Antoine De Saint Exupery quando escreveu:

“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só: leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas não há os que não levam nada; há os que deixam muito, mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso”.

Amorim Leite

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Quando se olha de fora para dentro, vêm-se diferenciais

Li isto alguns anos atrás e nunca mais esqueci: atravesse a rua e, do outro lado, olhe para seu negócio e pense o que faria um cliente entrar em seu estabelecimento e não no do vizinho.

Baseado nessa sugestão, pedi a Juvenal, um amigo, que fizesse isso para mim em algumas solenidades de colação de grau. Ou seja, que fosse para “o outro lado da rua” e narrasse o que viu.  Parte de seu “relatório” apresento aqui de maneira resumida.

Em certo salão, Juvenal apresentou-se como convidado a uma das recepcionistas e perguntou onde era o toalete. A moça, simpática, mascando chiclete sem parar, puxou para cima a blusa que lhe apertava os peitos e os fazia saltar para fora além do necessário e, claro, disse que não sabia. “Está vendo aquele ‘home’ [segurança] ali em pé?”, complementou. “Pergunta pra ele. Ele é daqui [do salão].”

Depois de aguardar um bom tempo em pé, no hall de entrada, finalmente meu amigo entrou no auditório. Embora no convite que recebeu, o início do evento tenha sido indicado para as 19h30, apenas às 19 horas é que o auditório foi aberto para o público. E, mesmo assim, ele ainda assistiu ao ensaio do coral e à passagem do som com aqueles famosos “ei, ei”, “um, dois”, “som”, “teste”…, sem contar a instalação de telão e outras arrumações que deveriam estar prontas pelo menos duas horas antes.

Por volta das 20 horas (o horário no convite era 19h30, lembra-se?) alguém anunciou pelo microfone: “Senhores ‘formando’, por favor, se ‘dirija’ ao ‘rol’ de entrada para a formação da fila de entrada”. Juvenal achou isso um absurdo. Primeiro pela ausência dos esses nas palavras. Depois, pelo pedido em si: “Formação da fila”! Brega pura!

Antes de o evento começar, várias músicas foram cantadas pelo grupo (coral) que se apresentaria durante o evento. Uma espécie de prefixo musical (vinheta) anunciou o início da solenidade. Pelo jeito, cinegrafistas, fotógrafos e seguranças não foram avisados disso. Ninguém estava no “posto”. Foi um corre-corre só. Gente correndo de um lado para outro do palco. A cerimônia começou no escuro. Demorou para a imagem do mestre de cerimônias ser projetada nos telões.

Os formandos entram. Desespero no palco: faltaram cadeiras. Alguém contou errado o número de formandos… Pela forma como o palco foi montado, não havia lugar para mais cadeiras… Restaram lugares apenas atrás da mesa dos professores. E é lá que os formandos-sem-lugar ficaram: longe da turma, fora de ordem alfabética e, claro, com cara de quem estudou e não gostou!

Juvenal também me disse que, enquanto os formandos entravam, ao som de uma música bem própria para exercícios em academia de musculação, um segurança, postado no mezanino do salão, pediu ajuda, aos gritos — onde estavam os rádios intercomunicadores? — ao colega que estava embaixo, pois uma formanda que ainda não tinha subido ao palco estava passando mal e queria água!

E veem os discursos. Um desfile de alunos malpreparados e mal-orientados. Textos de conteúdo duvidoso e editados a partir de colagem de mensagens impressas em convites de formatura das diversas empresas do mercado. Palavreado solto, sem nexo e, às vezes, até chulo. Foram oito discursos, incluindo os dos paraninfos. Muito cansativo para alguém que estava ali desde às 18h30 – horário em que os formandos tiveram de chegar para suas tradicionais fotos…

Músicas. As mesmas de sempre: É preciso saber viver, Pescador de ilusões, Como é grande meu amor por você. Nada de novo. Apenas os cantores “animando” a turma e pedindo para se acompanhar a música “na palminha da mão”. Epa! “É show ou solenidade de colação de grau?”, questiona Juvenal.

Chamada nominal. Literalmente, uma muvuca, segundo meu amigo. Fotógrafos apertando professores à mesa para obter o melhor ângulo. Horrível! Em certo momento, professores tiveram de se levantar do lugar para que o fotógrafo pudesse trabalhar. “E se à mesa estivessem assentados o presidente da República, governador do Estado ou outra autoridade?”, pergunta meu amigo. “Será que eles também teriam de ficar em pé para o fotógrafo trabalhar?”

Onde está meu canudo?

De repente, outro corre-corre. Juvenal não tem certeza, mas, pelo que percebeu, faltaram canudos. Isso mesmo: faltaram canudos. Ele acha até que viu algumas recepcionistas pedindo de volta alguns para os formandos que já tinham sido chamados… E isso se confirmou. Quase no final do evento, um funcionário da empresa organizadora passou pelo auditório com uma caixa, o que o levou a concluir que eram os canudos atrasados chegando da empresa. Mais tarde, Juvenal, conversando com alguém da empresa organizadora com quem fez amizade, soube que faltar canudo era problema frequente e que, às vezes, até becas não vinham em quantidade suficiente para atender os formandos. E isso é grave, pois o formando não pode receber seu certificado — simbólico ou não — sem beca!

Sobre as transmissões simultâneas no telão, Juvenal também tem algo a dizer. Segundo ele, alguns telões são pequenos demais levando em conta o tamanho do auditório. Aliás, em alguns salões são necessários mais de um. Dois pelo menos. Um de cada lado. Recentemente, um dos telões que viu estava cheio de ondas, talvez em função do material utilizado na fabricação — será que era mais barato?

Sem usar tripé, os cinegrafistas sofriam para manter a estabilidade da câmara. Por isso, o que se viam nos telões eram imagens tremidas e malselecionadas. Enquanto o orador ou o paraninfo falavam, projetava-se a imagem de formandos dando tchauzinho, beijinho ou fazendo coraçãozinho. O auditório ria e o orador ficava com cara de bobo, pois não sabia o que estava acontecendo. E novamente meu amigo questiona: o que aquelas imagens queriam dizer? Por que eram projetadas naquele momento? Cadê o editor de imagens? Pois o mesmo funcionário que lhe tinha falado dos canudos e becas lhe disse: “Com editor de imagens, o evento encarece. Então, os cortes são feitos pelo próprios cinegrafistas”, explicou. “Aí, na hora de editar o DVD, ‘nóis tira as tremida’”. Entendeu agora?

Infelizmente, não há exagero neste texto. Claro que tudo que aqui foi narrado não aconteceu no mesmo dia, no mesmo local e com a mesma empresa. Mas aconteceu. E só há um jeito de se corrigir isso: é o dono da empresa de formatura fazer o que meu amigo fez ou pedir para alguém de sua confiança se misturar com os convidados num evento e ter a visão deles. Aliás, isso pode começar com um telefonema. Experimente ligar para sua empresa sem se identificar e dizer que está com um “problema” e gostaria de ser ajudado. Começando pela telefonista, você saberá como seu cliente é tratado.

Não basta ter uma sede bem-instalada, uma logomarca bonita e frota adesivada, se seu cliente aguarda na linha enquanto a espera telefônica pede mais um tempinho. O consumidor quer agilidade e atenção — desde o atendimento na empresa até a entrega do último produto ou prestação do serviço. E, como dizia José Luiz Spínola, o homem que inventou as formaturas, o formando e seus convidados querem se sentir como reis no evento. Por isso, o certo é estender um tapete vermelho para eles.

Empresários de formatura, lembrem-se: quando se olha de fora para dentro vêm-se diferenciais.

Amorim Leite

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Steve Jobs, o sucesso e a ‘Bíblia’


 Este é mais um daqueles textos que recebo semanalmente – o Maná da segunda. Veja como Roberto J. Tamasy, seu autor, ligou as  “sete regras de sucesso” de Jobs a textos bíblicos.

“Quando Steve Jobs morreu, no ano passado, deixou um legado de realizações que mudaram de forma impressionante nosso modo de viver. Como co-fundador da Apple Inc., ele foi a figura central na revolução do computador pessoal. O Macintosh da Apple, apresentado no início dos anos 1980, transformou a maneira como pensamos e usamos computadores. Ele foi também co-fundador dos Estúdios de Animação Pixar, que abriram novos caminhos para filmes de animação computadorizada. Antes de sua morte, iPads, iPhones e Ipods ajudaram a abrir horizontes inimagináveis para a comunicação e o entretenimento. A vida e o trabalho de Jobs tocaram virtualmente todos os empresários e profissionais.

Apesar de ser controverso em algumas atitudes, Jobs era um visionário único, pioneiro e inovador, e todos podem extrair benefícios dos princípios que nortearam seu sucesso. O site entrepreneur.com publicou um artigo descrevendo as “sete regras de sucesso” de Jobs. Embora ele não fosse adepto do cristianismo, cada uma de suas regras de sucesso se alinha a princípios bíblicos estabelecidos há milhares de anos. Vamos examiná-los:

1.   Faça o que você ama. Jobs afirmou: “Pessoas com paixão podem mudar o mundo para melhor”. A ideia de paixão e propósito em nossas buscas diárias é resumida no livro de Colossenses 3.23-24: ‘Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança…’.
 
2.   Deixe uma marca no universo. Jobs certa vez perguntou ao CEO de uma companhia de bebidas: ‘Você quer gastar sua vida vendendo água açucarada ou quer mudar o mundo’?  Ele era a favor de uma visão vigorosa e atrativa. Provérbios 29.18 oferece uma ideia semelhante: ‘Onde não há visão, o povo perece’ (tradução livre).
 
3.   Faça conexões. O pensamento de Jobs era tornar-se rico de experiências variadas e conectar ideias de diferentes campos. Essa ideia de conexão é sustentada por Romanos 8.28, que afirma: ‘Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano’. 
 
4.   Diga não a mil coisas. Manter foco bem definido foi importante para Jobs, que afastou produtos promissores, mas que poderiam ter minado a perícia e o sucesso de sua empresa. No Antigo Testamento da Bíblia, Provérbios 4.27 afirma: ‘Evite o mal e caminhe sempre em frente; não se desvie um só passo do caminho certo’. 
 
5.   Crie loucamente experiências diferentes. Ao desenvolver lojas de varejo, Jobs queria que os clientes tivessem uma experiência profunda e enriquecedora. Jesus exibiu uma atitude do tipo ‘primeiro os outros’ quando ensinou: ‘Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês’ (Lucas 6.31).
 
6.   Domine a fundo a mensagem. Jobs compreendeu que mesmo as melhores ideias, se não forem eficientemente comunicadas, são de pouco valor. Por motivo semelhante, o apóstolo Paulo escreveu: ‘Sejam sábios no procedimento para com os de fora… O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um’ (Colossenses 4.5-6).
 
7.   Venda sonhos, não produtos. Jobs compreendeu a importância de apelar para os desejos, esperanças e ambições das pessoas. Jesus ofereceu motivação semelhante a Seus seguidores: ‘Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações… ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei…’ (Mateus 28.19-20).” 

Em outubro de 2011, quando Jobs morreu, postei aqui um texto. Leia-o também aqui.

Amorim Leite

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Amando nosso trabalho

Semanalmente, recebo de uma organização internacional o Maná da segunda. Este é o desta semana. Escrito por Robert J. Tamasy, ele é bastante inspirativo e nos leva a pensar sobre o amor que dedicamos ao nosso trabalho. Vale a pena lê-lo.

 “Alguns de nós somos afortunados e temos trabalhos que realmente apreciamos. Porém, de acordo com pesquisas, a grande maioria de homens e mulheres no mundo profissional e empresarial não gosta e até mesmo odeia o trabalho que faz. Na melhor das hipóteses, eles toleram o que têm de fazer todos os dias para ganhar a vida. Você é um deles?

Você gostaria de dizer, com sinceridade: ‘Amo o meu trabalho’? Como seria começar o dia com a expectativa boa de encontrar oportunidades e desafios no seu ambiente de trabalho e não com medo e ansiedade? ‘Bem, vou ter de mudar de emprego’, diriam muitos, talvez. Mas, recentemente, ouvi uma história intrigante que parece indicar que não precisa ser necessária uma mudança de emprego para se ter um trabalho que amamos.

Em uma reunião do Grupo de Apoio a Câncer que compareci (minha esposa é uma sobrevivente de câncer), uma mulher estava contando sobre uma pessoa inspiradora que conheceu quando fazia o tratamento. Ela era manobrista do estacionamento do hospital.

‘Aquela mulher era surpreendente’, disse. ‘Ela amava o seu trabalho e amava a cada paciente que chegava todos os dias para consultas. Nunca deixou de exibir um grande sorriso e tinha uma palavra de ânimo para cada um de nós. Ela me deixou impressionada. Estava lá todos os dias, no calor mais abrasador ou frio congelante, concentrada em cumprimentar cada paciente e fazer que seu dia fosse um pouco mais luminoso’.

Como administradora de uma fundação, a mulher que contava essa história pensou consigo mesma: ‘Esse é o tipo de pessoa que precisamos contratar como recepcionista’. E ela ofereceu emprego para a manobrista que, com seu sorriso habitual, educadamente recusou. A mulher explicou que não poderia deixar seu emprego, não porque fosse bem remunerada, mas porque, em sentido bem real, se tornara seu ‘emprego dos sonhos’. Ela buscava cada dia pela oportunidade de oferecer uma palavra gentil, dar a alguém o sorriso que necessitava ou fazer brilhar a luz da esperança para quem precisasse desesperadamente dela. Numa palavra, ela via seu emprego como sacerdócio.

E se nós adotássemos a mesma atitude, vendo nossos empregos como sacerdócio – oportunidade para servir e auxiliar outras pessoas e não apenas como fonte de recursos ou forma de preencher o tempo entre os finais de semana? Mas como fazer isso, especialmente se nossas circunstâncias estão longe de ser as ideais? Considere os seguintes conselhos da
Bíblia:

Mantenha o foco no que é positivo. Certamente existiam aspectos no trabalho daquela manobrista que não eram perfeitos e ela poderia mudar se quisesse. Mas, em vez disso, se concentrou nas outras pessoas. ‘Finalmente, irmãos, tudo que for verdadeiro, tudo que for nobre, tudo que for correto, tudo que for puro, tudo que for amável, tudo que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4.8).

Lembre-se de Quem você realmente serve. Precisamos ver nosso trabalho como parte de algo maior. Séculos atrás, observando um pedreiro, alguém lhe perguntou se ele não ficava cansado do seu trabalho. ‘Não’, respondeu o pedreiro, ‘porque estou construindo uma catedral’. ‘Escravos, obedeçam em tudo a seus senhores terrenos… Tudo que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor… É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Colossenses 3.22-24).”

Amorim Leite

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William Bonner, ‘Jornal Nacional’, Lula e o Corinthians

Nessas férias de final e início de ano, aproveitei para tentar colocar a leitura em dia. Por isso, coloquei na mala o livro que ganhei de meus colaboradores em fevereiro de 2010: Jornal Nacional – Modo de fazer, escrito por William Bonner e publicado em 2009 pela Editora Globo.

Se soubesse que seu conteúdo era tão bom e a linguagem tão acessível, teria lido de imediato quando o ganhei de presente de aniversário. O cara escreve muito bem. Consegue ser técnico, didático e jornalístico sem cansar o leitor e ainda dá boas pitadas de humor ao texto. Muito bom!

Há um episódio narrado por Bonner que quero compartilhar aqui. Na página 203, no capítulo “JN nas Eleições”, ele conta como o telejornal trabalhou a cobertura da eleição presidencial de 2002. E cita ali como foi o histórico momento em que entrevistou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de outubro de 2002. Transcrevo parte do capítulo a seguir.

“E já que mencionei, aqui, a entrevista daquela segunda-feira histórica, é chegada a hora de revelar: era para o início dela ter sido diferente.

Ao planejar, naquela tarde, as perguntas que eu formularia ao presidente eleito, minha intenção era abrir a conversa com emoção do momento. Não seria razoável ignorar, no encontro com Lula eleito, a carga emocional óbvia que a vitória nas urnas continha. Depois, naturalmente, encaminharíamos a entrevista para questões objetivas, ligadas ao programa de governo, as primeiras providências.

Agora eu peço que tente se colocar em meu lugar e imagine: qual seria a primeira pergunta a se fazer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia seguinte à conquista eleitoral?

Se a eleição representava uma emoção imensa para o ex-torneiro mecânico, a qual outra ela poderia ser comparável? O nascimento de um filho? A união com dona Marisa? E fui descartando essas comparações que, a meu ver, poderiam soar piegas par alguns, ou levar apelativamente o presidente às lágrimas diante de milhões de pessoas. A solução, então, surgiu quase automaticamente. Dada a paixão pública de Lula pelo Corinthians, decidi começar nossa conversa de maneira bem humorada, propondo a seguinte questão:

— Presidente, qual foi a maior emoção para o senhor? A eleição de ontem ou o gol do Basílio?

Ali Kamel [diretor da Central Globo de Jornalismo] entende de futebol certamente mais do que eu sei de islamismo. Mas, ao ouvir minha ideia, ele me fez duas perguntas. Primeiro, quis saber quem era Basílio. Expliquei que foi um jogador do Corinthians que marcou o gol que deu ao clube o título paulista de 1977, na partida final contra a Ponte Preta de Campinas, depois de 23 anos de jejum corintiano. Então, Ali perguntou se, para um corintiano, aquela pergunta faria sentido. Respondi que sim, que qualquer torcedor do Corinthians que tivesse mais de 35 anos de idade teria o coração atingido em cheio por aquela pergunta. E Ali pareceu convencido de que seria um bom começo. Ligou para Carlos Henrique Schoroder [diretor-geral de Jornalismo e Esporte (DGJE)], que estava no Rio — e recebeu o OK. Seria aquela a primeira pergunta.

Porém (aaaaaahhhhhh, porém), passados alguns minutos, eis que o então diretor de Jornalismo da Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latgé, teve a curiosidade de nos perguntar se já havíamos decidido como iniciar a entrevista. Lembro que contei a ele, esperando um cumprimento efusivo: “Genial!”, “Sensacional!”, algo assim. E ênfase foi o que não faltou na reação de Latgé:

— Vocês enlouqueceram? A primeira pergunta que o Jornal Nacional vai fazer ao presidente eleito é sobre um gol do Corinthians?

O botafoguense Latgé tinha um tom de voz tão indignado que, imediatamente, eu me vi ridicularizado por todos os colegas jornalistas, fulminado por Lula, execrado pelos torcedores do próprio Corinthians e de todos os demais clubes brasileiros. Olhei, já envergonhado, para Ali. Ele também estava claramente impressionado com a reação do diretor de Jornalismo da Globo SP. E reuniu toda a delicadeza que poderia ter para me dizer, quase pedindo desculpas:

— William, talvez, então, não seja apropriado. Talvez seja melhor, mesmo, pensar num caminho alternativo para o início…

Ali Kamel estava certo, porque Latgé estava certo. Era uma loucura. E, santo Deus! Tínhamos cooptado até o nosso chefe, Carlos Schroder, para aquela sandice.

A entrevista foi ao ar. A primeira pergunta foi algo tão genérico sobre a emoção do momento que nem me darei ao trabalho de buscar nos arquivos para reproduzir aqui. Mas, de toda forma, o presidente se emocionou muito, em diversos momentos em que não aparecia na tela da TV. Era quando buscava o olhar cúmplice de dona Marisa. Ou, para descontrair, tentava fazer algum comentário brincalhão com o amigo e assessor, o jornalista Ricardo Kotscho, que estava ao lado da futura primeira-dama, em cadeiras postas bem perto da bancada de apresentação montada especialmente para aquela edição excepcional do JN, na redação da Globo São Paulo.

Quando terminou, Ali Kamel e eu encaminhávamos o presidente eleito e sua mulher para uma sala onde ele concederia entrevista à jornalista Lally Weymouth — editora e herdeira do jornal Washington Post. Ainda no corredor, Lula comentou que, de vez em quando, precisava se beliscar para comprovar que aquilo era real. E manifestou surpresa com o fato de ter sido procurado por tantos chefes de Estado e de governo, ao longo do dia, para receber cumprimentos pela vitória nas urnas: “Esse pessoal todo ligando…”

Éramos cinco, no caminho: Lula, dona Marisa, Kotscho, Ali Kamel e eu. E, quando tomamos o elevador e a porta se fechou, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva disse o seguinte, sem que ninguém tivesse perguntado:

— Olha… fora o gol do Basílio, eu acho que eu não tive uma emoção igual a essa na vida.

Ponto.

O presidente havia ido buscar, na memória emocional, o sentimento expresso naquelas palavras. E eu, ato contínuo, saquei as minhas — das memórias que tinha das arquibancadas do Morumbi:

— Puta que pariu!

— William! — exclamou um Ali Kamel absolutamente desconcertado com minha interjeição. E eu, virando-se para a esposa do presidente eleito:

— No bom sentido, dona Marisa! Desculpe, por favor! Mas é que a primeira pergunta que eu faria era exatamente sobre qual dessas duas emoções havia sido maior!

E então, com um sorriso, disse Sua Excelência, o presidente eleito, a seus quatro acompanhantes, quando saímos do elevador: — Olha… se você tivesse perguntado… eu acho que diria que a eleição… foi uma emoção maior, sabe? Eu acho que foi, sim…”

Amorim Leite

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