Música nas formaturas

Nesses mais de trinta anos atuando como mestre de cerimônias, testemunhei inúme-ras tentativas de se fazer uma colação de grau ou um baile diferentes. Neste post,dou uma passeada pelas bandas.

Nos anos 1980, as músicas que se ouviam nas colações de grau eram interpretadas por corais. Um dos mais requisitados, principal-mente por formandos em direito e medicina, era o Baccarelli, regido por seu criador — Sílvio Baccarelli — ou por outros maestros como Edilson Venturelli. De igual modo me lembro do Comunicação São Paulo. Quem o regia era um padre. Havia outros corais menores, alternativos. Mas esses dois estavam pratica-mente em todas as grandes formaturas.

O problema dos corais era o som. Como o Palácio das Convenções do Anhembi era o palco dessas formaturas, ficava muito complicado sonorizar. O espaço administrado pela pre-feitura paulistana tinha uma norma: não se podia ligar nada em sua mesa de som. Então, ou a empresa organizadora pagava mais para se ter um coral “audível” e “entendível” ou tinha-se que dormir com um canto daqueles.

Para ajudar, o coral se posicionava embaixo, no nível do auditório, não aparecendo para os formandos. Com os poucos microfones que o Anhembi cedia, o som não era captado com qualidade suficiente para ser ouvido por turmas grandes, com mais de cem formando — direito das Faculdades Metropolitanas Unidas, por exemplo, sempre reunia mais de qua-trocentos participantes.

Foi justamente para corrigir esse problema que as bandas, que até então só tocavam nos bailes, foram contratadas para atuar também nas colações. Para diferenciar esses grupos das bandas de baile, convencionou-se chamá-los de corais.

Um dos primeiros grupos a entrar no filão da colação de grau foi o Dimensão 5. Além de levar som próprio, eliminando o do Anhembi, que não era uma “Brastemp”, tinha um teclado com seu respectivo tecladista e três ou quatro vocalistas. Outra banda que se destacava como coral era a Reveillon. Essa levava vários instrumentos, além do teclado — contando percussão, metais, guitarra, contrabaixo (tocado pelo saudoso João Barão) e dois vocalistas, o grupo contava quase sempre com uns dez integrantes. O Super Som TA também entra nessa lista com muitos integrantes e som ao vivo.

A Banda Saint Paul, que pertencia ao Baccarelli e era seu produto para os bailes, entrou também para o grupo de “corais”. No final dos anos 1980, separou-se da organização e ganhou vida própria administrada por Flávio Romeo, seu baterista, que acabou enveredando-se na carreira de mestre de cerimônias. Essa mesma cisão gerou a banda Free Som, cujos integrantes eram todos garotões na faixa dos 20 aos 25 anos e, bem por isso, tinha um repertório mais roqueiro, espelhando a juventude dos músicos.

Mais tarde, já no final dos anos 1990, surgiu a Banda Primeira Mão. Como coral, sua formação era eclética: às vezes era quarteto, às vezes um grupo maior, com dez cantores, além do tecladista. Uma parada aqui: essa banda inovou muito em todos os quesitos nos bailes. Com palcos automatizados em cenário sempre luxuoso, a Primeira Mão se destacou pelas coreografias incrementadas e instrumentistas e vocalistas sempre de muita qua-lidade. Bem por isso, seu cachê era um dos mais caros. No auge da fama, quatro ou cinco anos atrás, seu líder resolveu tirar o time de campo, ou melhor, do palco.

Alguns anos antes da Primeira Mão, quem deixou os formandos sem sua música também de qualidade foi o Dimensão 5. Atuando hoje ainda há grupos excelentes. Não mencionarei aqui seus nomes porque temo cometer injustiça. Volto aos grupos já citados no início do texto: o Baccarelli ainda atua no mercado com seus grupos musicais apresentando-se principalmente em casamentos e em outras cerimônias sociais do gênero. Além disso, Silvio Baccarelli, seu mentor, continua sendo um nome respeitadíssimo no meio musical. Por meio de sua criação, o Instituto Baccarelli, esse maestro está ensinando milhares de crianças a se tornar músicos. E um dos gerentes desse instituto que tem sua sede na Estrada das Lágrimas, na região do bairro Heliópolis, em São Paulo, é Edilson Venturelli, aquele que regeu por muito tempo os grupos que se apresentavam nas formaturas.

 Não sei que fim levou o Comunicação São Paulo. O Super Som TA continua na ativa, o mesmo acontecendo com as bandas Saint Paul e Free Som. Talvez influenciadas pelo meio que atuam ou atuavam, esses grupos acabaram dando frutos e  “formando” profis-sionais. Hoje, muitos deles estão em emis-soras de televisão ou tocam ou cantam ao lado de artistas renomados. Sem falar da-queles que escolheram atuar sozinhos e estão nos navios rodando o mundo ou criaram a própria banda.

Amorim Leite

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3 respostas para Música nas formaturas

  1. Linamari Spinola disse:

    Parabéns pelo texto, me fez voltar no tempo e relembrar as colações de grau onde, no meio dos formandos, dos professores e convidados ilustres, da música e da decoração, a figura do mestre de cerimônias se destacava na tribuna oratória.
    Abraços e saudades
    Lina

  2. kadu disse:

    A Banda Primeira Mão surgiu no inicio dos anos 90. Parabêns Amorim…gostei do texto tb.

  3. Angelina Navalon disse:

    O nome do padre do coral Comunicação de São Paulo é PADRE FUZARI bjs

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