Ousadia

Em dezembro, abre-se oficialmente a temporada de for-maturas 2011-2012. Como será essa temporada no quesito criatividade? Repetiremos as mesmas decorações de anos anteriores, cantaremos as mesmas músicas, lere-mos as mesmas mensagens ou seremos ousados e apre-sentaremos coisas novas?

Veja a seguir como este texto de Daniel Carvalho Luz, autor do livro Insight, nos desafia a ousar.

“Havia uma terra onde todos os habitantes, durante muitos anos, tinham-se acostumado a utilizar muletas para andar. Desde a mais tenra infância, todas as crianças eram ensinadas a usar devidamente as suas muletas para não cair e a cuidar delas para que não se estragassem.

Mas, um dia, um jovem inconformado começou a pensar que seria possível prescindir de tal complemento. E, quando expôs a sua ideia, os anciãos da terra, os seus pais, professores e amigos, todos lhe chamavam louco: ‘Não vês que sem muletas você cairá? Que grande atrevido você é!’ Mas o jovem continuava a pensar no assunto.

Aproximou-se dele um ancião e lhe disse:

– Como podes ir contra a nossa tradição? Durante anos e anos, todos temos andado perfeitamente com esta ajuda. Sentimo-nos mais seguros e fazemos menos esforço com as pernas. É uma grande invenção! Meu amigo, não podes jogar fora todo saber e tradição dos nossos antepassados que nos ensinaram a fazer e utilizar muletas.

Também o seu pai lhe disse:

 – Meu filho, já estou cansado e envergonhado com as suas excentricidades. Você só cria problema na família. Se o teu avô e bisavô usaram muletas, por que é que queres ser diferente?

Mas o jovem não desistia de concretizar as suas intenções, até que, um dia, decidiu mesmo deixar as muletas. No princípio, caiu várias vezes, como já o tinham advertido, pois os músculos das pernas estavam atrofiados. Mas, pouco a pouco, foi adquirindo segurança e, passando algum tempo, já corria e saltava livremente e montava a cavalo, sem precisar de muletas.

É mais cômodo e seguro fazer sempre a mesma coisa e da mesma forma se queres estar seguro, seja mudo, cego e surdo’ — do que tentar algo diferente. Certas pessoas, sobretudo aquelas para quem a rotina diária é intocável, sentem-se incomodadas e perturbadas quando alguém ousa introduzir originalidade e invulgaridade no que pensa, diz e faz. ‘No ousar está o valor e no tardar o temor’, recorda a sabedoria popular.

Relativo à ousadia, Platão, filósofo grego do século 3 a. C., descreve as inscrições que iden-tificavam as três portas de entrada no templo da Sabedoria, em Atenas.

Na primeira, podia-se ler: ‘Sede ousados!’

Na segunda, uma legenda mais imperativa recomendava: ‘Sede ousados, sede sempre ou-sados, sede cada vez mais ousados!’

Na terceira e última porta, reservada a alguns eleitos, estava escrito: ‘Não sejais ousados em demasia!’

Se me tivessem pedido a opinião sobre esta terceira legenda teria proposto: ‘Sede ousados com estratégia!’

A ousadia não é mais do que a concretização de algo claramente definido e decididamente desejado. Nada tem a ver com anarquia ou indisciplina. Assenta, fundamentalmente, na coragem de começar, na persistência de chegar ao fim e na aceitação voluntária de riscos. O ousado manifesta relutância em aceitar a ambiguidade, bem como as restrições vindas de uma autoridade que procura justificar-se e impor-se mais pelas ordens que dá do que pelos serviços que presta.

Se, por um lado, a ousadia pode gerar conflitos, por outro, quando lucidamente utilizada, desenvolve a criatividade e robustece as relações entre as pessoas.”

‘A ideia que não é perigosa não merece ser chamada de ideia” — Oscar Wilde

Amorim Leite

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Simpovidro: sempre uma motivação a mais

Participar do maior encontro vidreiro nacional como fornecedor é um privilégio. Como apresentador desse evento organizado pela Associação dos Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro), tenho a oportunidade de ouvir renomados palestrantes. O elenco contratado para o 10º Simpovidro foi de primeira linha. Porém, talvez por ser ele mesmo um exemplo de vida, Lars Grael foi um dos que mais encantaram o público. Con-tratado pela Guardian e União Brasileira de Vidros (UBV), patrocinadoras do simpósio ao lado da Cebrace e Saint-Gobain Glass, Grael falou de sua vida, desde o tempo de menino, quando já os barcos lhe encantavam, até os dias de hoje. Seu tema: Superação — Viver é como velejar

Grael subiu ao palco de muletas, mas dei-xou-as de lado e se apoiou em um banquinho para contar sua história de superação por mais de uma hora. Ao terminar, foi aplaudido de pé. Aliás, também foi assim que foi rece-bido ao ser anunciado por mim para apre-sentar sua palestra. Gente como Grael sempre nos inspira e nos faz pensar que, se quisermos, podemos superar obstáculos.

 Passei a fazer parte da equipe de produção desse evento bienal a partir de sua 7ª edição,  em 2005. Desde então, tenho me envolvido cada vez mais de corpo e alma, já que a Ver-bus, minha empresa de comunicação, tam-bém tem sido a responsável pela identidade visual do encontro.

Este ano, o encontro vidreiro foi ousado: “criou” uma ilha exclusiva para si. Nos dias 24 a 27 de novembro, o Hotel Transamérica Ilha de Comandatuba, instalado em Una, Bahia, era só Simpovidro.

Veja mais sobre o Simpovidro aqui.

Amorim Leite

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Não bastam clientes satisfeitos…

O título acima é, na verdade, o início de uma frase de dois renomados autores — Ken Blanchard e Sheldon Bowles. A expressão completa é: “Não bastam clientes satisfeitos; crie fãs incondicionais”.

 A frase é uma das favoritas de Blanchard e está em seus livros Fãs incondicionais (Edi-tora Record) e A alma do líder — Reflexões sobre a arte de influenciar (Garimpo Editorial). É deste último que extraí o que está na página 51. Leia aqui, na íntegra, o que diz Blanchard.

“O que são fãs incondicionais? São aqueles clientes que estão tão satisfeitos com o modo que você os trata que vão querer elogiar o seu atendimento. Em essência, eles passam a ser parte de sua equipe de vendedores.

A competição é muito acirrada no mercado. Se você não cuidar dos clientes, alguém estará pronto para tomar seu lugar. Vamos encarar os fatos — talvez você não tenha uma segunda chance. Na verdade, indispor clientes pode lhe render a fama de não prestar bom serviço, o que pode prejudicar sua equipe de vendas, por melhor que ela seja, e as mais inteligentes campanhas publicitárias.

Diferencie-se de seus concorrentes, ensinando sua equipe de vendas e seus representantes de apoio ao cliente — todos os que têm contato com seu público — a criar fãs incondicionais. Vale a pena o esforço em favor daqueles que pagam seu pró-labore.”

 Amorim Leite

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Clichês, linotipo, telex, malote…

Acabei de receber de um amigo, o Ezequiel, uma news-letter sobre os 25 anos de sua empresa a serem com-pletados em dezembro. Conheci o Ezequiel quando era produtor gráfico na Spínola Formaturas, nos anos 1980. Ele era um dos fornecedores de clichê. Na época, tra-balhava com o tio, na Clicheria Atlantis. Em 1985, abriu sua própria empresa, a Cliart, e com ela está até hoje.

Quando li a news, fui obrigado a voltar ao passado. Talvez você que me lê agora não saiba o significado das palavras que dão título a este post, mas todas elas fazem parte do mundo da formatura. Clichê, por exem-plo, ainda é muito utilizado na impressão de convites especiais, incluindo os de formatura. Ele é o responsável pelos efeitos de relevo e também por aquelas impressões metalizadas (hot stamping), o que só se consegue em tipografia.

Na época em que trabalhei na Spínola, a empresa tinha escritórios regionais em Recife, Curitiba e Rio de Janeiro. A comunicação entre a matriz e esses escritórios era via telex e malote. Os convites eram impressos pelo chamado sistema a quente – tipografia.

A maioria das empresas tinha um mesmo fornecedor de composição em linotipos. Como o próprio nome sugere, trata-se de linhas tipográficas. Isso mesmo: cada linha do convite era fundida em chumbo. A linotipadora entregava essas linhas amarradas com um barbante. Era tarefa do tipógrafo “diagramar” esse material de acordo com o modelo do convite. Na Spínola, o encarregado da tipografia era insuperável. “Seu” Caetano dominava como nin-guém seu ofício. Conhecia todos os símbolos de cursos e logotipos de faculdades e univer-sidades do País. Se ele dizia que não tinha, podia-se acreditar.

Nesse tempo, também registrei algumas coisas sui generis. Certa vez, por telex, veio um pedido de inclusão de uma página no convite para “homenagem póstuma” a certo professor de uma faculdade do Norte do País. Dias depois, quando o convite já estava impresso, novamente via telex chegou a informação de que era para tirar a página, pois o tal pro-fessor não havia morrido, era engano…

Certa vez, mandamos o boneco — miolo do convite impresso rusticamente no prelo — para o cliente revisar. Quando voltou, via malote, do escritório do Recife, veio com poucas cor-reções anotadas à caneta. Corrigimos tudo de acordo com as indicações do cliente e o con-vite foi impresso e entregue. Todo esse processo, claro, levava meses. Quando já nem se pensava mais naquele trabalho, Machado, então gerente-regional, liga para dizer que não tínhamos feito todas as correções e que o cliente estava muito bravo e devolvendo o mate-rial no escritório! Pegamos as provas revisadas e comparamos: tudo tinha sido feito! Depois de tanto conversar e discutir, percebemos onde estava o problema. O cliente (presidente da comissão de formatura) anotou o que era para ser acrescentado e, simplesmente, apa-gou — e muito bem apagado —, usando borracha, o que queria que fosse tirado do convite.

O sistema a frio de impressão — offset — demorou a ser utilizado pelas empresas de for-matura. Hoje, com o advento do computador e da era digital, tudo mudou. Da comunicação às técnicas empregadas. Algumas empresas, inclusive, preferiram terceirizar a produção dos convites a ter uma gráfica própria.

Amorim Leite


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O vídeo do filtro solar

Nas formaturas de 2004 a 2006, um vídeo estava sempre presente. Ora em sua versão original, em inglês, com legendas, ora em português, com narração de Pedro Bial.

Chamado de O filtro solar, esse filme era sucesso na Internet na época. Por isso, as comissões de formatura faziam questão de incluí-lo na programação das colações de grau como se seu conteúdo fosse a men-sagem dos formandos para seus convidados.

Até hoje tem gente que pensa que a peça é produção de Bial, já que o último Fantástico de 2003 foi encerrado com “uma palavra de esperança: um belo texto de uma cronista americana – O filtro solar”. Mary Schmich é a tal cronista americana. Em seu livrete homônimo, lançado no Brasil pela editora Sextante, a escritora explica como nasceu seu texto.

Sem inspiração para escrever sua crônica como colaboradora do Chicago Tribune, ela se pôs a caminhar pelo Central Park, na cidade estadunidense de Nova York, e vendo as pessoas tomando Sol, perguntou a si mesma se elas estavam usando filtro solar. Seus pensamentos começaram a viajar e a jornalista se viu discursando para uma turma de formandos e aconselhando-os. Sua crônica foi publicada no dia 1º de junho de 1997 e, originalmente, tinha este título: Conselhos, assim como juventude, provavelmente des-perdiçados pelos jovens.

De acordo com Mary, O filtro solar ganhou o mundo pela Internet e a ele se atribuíram muitos autores, menos ela. Veja o filme exibido no Fantástico. A versão impressa está aqui.

Amorim Leite

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Simplesmente, funciona!

Meu post desta semana é novamente ins-pirado em Steve Jobs, mas não é sobre ele. Tomo dele, emprestada, a frase que, de acordo com seus admiradores, dizia ao aca-bar de apresentar seus produtos: “Simples-mente, funciona”!

Acabei de assistir ao Varekai [em qualquer lugar], espetáculo do canadense Cirque du Soleil em cartaz em São Paulo. Desde a compra dos ingressos em julho, pela Internet, até o show, no último sábado, dia 22, não tive problema algum. Aliás, em setembro, recebi por e-mail um comunicado dos organizadores alertando para o problema de estacionamento e oferecendo uma alternativa em local próximo com translado gratuito, por vans, até o Parque Villa Lobos, onde está armada a tenda do circo.

Pois é: simplesmente, funciona! Como fui mais cedo, não utilizei a indicação recebida pre-viamente e estacionei – sem problemas – no parque. Quando saí, me assustei. Vi tanto ônibus de excursão que pensei: pronto, não tive problemas para entrar mas vou ter na saída. Engano meu. Saí facilmente. Funcionou.

Previsto para começar às 17 horas, às 16 foi permitida a entrada para um grande hall, onde se podiam comprar suvenires do circo — CDs, DVDs, camisetas, blusas e outros produtos. Tudo muito caro, mas de bom gosto. Atendimento dos funcionários? Perfeito. Eram educa-dos, atenciosos e sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Às 16h30, entramos no recinto do show propriamente dito. Dezenas de recepcionistas à disposição levavam cada pessoa ao local marcado nos ingressos. Fotografar ou filmar, nem pensar. Quando alguém se aventurava fazê-lo – e eu bem que tentei – uma ou um desses recepcionistas corriam até o “infrator” e diziam, educadamente: “Lembrando [sic] que é proibido fotografar e, se o senhor (a) insistir, o segurança será chamado e sua máquina será tirada”.

E o espetáculo? Sensacional!  Tudo, simplesmente, funciona! Nada dá errado – aliás, nem pode, pois, se der, há risco de vida dos artistas. Veja imagens gerais aqui.

Depois desse show de organização, fui fazer a chamada nominal para a valsa de formatura de trinta formandos, no Espaço São Paulo. Ao chegar, ainda que dissesse ao encarregado do estacionamento do próprio local que era o mestre de cerimônias e tinha ido ali trabalhar, não consegui estacionar. “Não tem mais lugar, senhor”. Mas ele me mandou para o outro “estacionamento” da empresa, atrás da casa. Paguei R$ 20,00 para meu carro ficar na rua, a céu aberto nas mãos de um funcionário que nem tíquete me deu.  Se estivesse chovendo, chegaria ensopado. Quando saí, duas horas depois, comprovei que o que faltou ali foi, na verdade, boa vontade, pois, no primeiro estacionamento, havia vários carros onde, antes, estava vazio.

Sobre o evento em si, teria muita coisa a comentar, mas fico com apenas uma. O profissional responsável pelo telão, a pedido da coordenação do evento, projetou o aviso para os formandos, acompanhados dos padrinhos, dirigirem-se ao hall de entrada. Tudo certo se, antes da mensagem, não tivesse aparecido: “Formandos e padrinhos – entrada da valsa”, o título da mensagem. Todo mundo viu também o momento em que a mídia foi colocada na máquina, pois aquela conhecida tela azul com o nome “DVD” foi ao ar.

Que pena! Em eventos de formatura – colação e baile – nem sempre se poderá dizer “simplesmente, funciona”!

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As ideias de Jobs para mudar nosso mundo

Neste post, reproduzo parte de uma das vá-rias reportagens de Veja publicadas na se-mana em que Steve Jobs faleceu. Assinada por Fábio Altman, a matéria relaciona dez ideias do criador da Aplle. “Entender como funcionava a mente de um gênio instintivo, e como ele tomava decisões, serve de apren-dizado, vale como uma lição de vida”, es-creveu Altman.

O texto completo, você poderá ler em Veja de 12 de outubro de 2011. Reproduzo aqui apenas os tópicos.

1.       Faça aquilo de que você gosta — mesmo que no começo pareça que não vai dar certo

“Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até que alguém lhes mostre” — Steve Jobs, em entrevista à revista Business Week, em 1998

2.       Aprenda com os erros — e jamais pare de errar

“Se continuam correndo o risco de fracasso, eles ainda são artistas. Dylan e Picasso sempre corriam o risco de fracasso” — Em reportagem na revista Fortune, 1998

 3.       Trabalhe com equipes pequenas

É difícil imaginar que uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4.300 pessoas são pudesse competir com seis pessoas vestindo jeans” — Em 1985, depois de deixar a Aplle, ao comentar os primeiros anos de embate com a IBM

 4.       Faça perguntas certas — e pense diferente do que você pensa

“Você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter a chance de mudar o mundo?” — Em 1983, ao convidar John Sculley, então executivo-chefe da Pepsi, para trabalhar na Aplle

 5.       Crie uma cultura corporativa — mesmo na administração doméstica

“A inovação não tem nada a ver com a quantidade de dólares que você investe em pesquisa e desenvolvimento. Quando a Aplle lançou o Mac, a IBM estava gastando no mínimo cem vezes mais em P&D. Não é uma questão de dinheiro. É a equipe que você tem, como você lidera e quanto você entende da coisa” — Em entrevista para a Fortune, em 1998

 6.       Simplifique — e diga não ao supérfluo

“À medida que aumenta a complexidade da tecnologia, também cresce a demanda pela força básica da Aplle de tornar compreensível para meros mortais recursos tecnológicos muito complexos” — Em entrevista ao New York Times, em 2003

 7.       Guarde os segredos e os alimente

“A jornada é a recompensa” — Aos criadores do Macintosh, em 1982

 8.       Ouça os outros — mas não tenha medo de tomar decisões sozinho

“Não fazemos pesquisa de mercado. Não contratamos consultores… Só queremos fazer produtos ótimos” — Na CNN, em 2008

 9.       É sempre melhor pegar um caminho alternativo do que correr onde todos já estão

“Leonardo da Vinci era um grande artista e um grande cientista. Michelangelo conhecia fundo o corte de pedras e pedreiras. Edwin Land, da Polaroid, um dia disse: ‘Quero que a Polaroid se situe na inter-secção da arte e da ciência’ — nunca me esqueci disso” — Na Time, em 1999

10.   Um pouco de autossuficiência é bom — valorize sua própria marca

“Eu valia mais de 1 milhão de dólares quando tinha 23 anos, mais 10 milhões quando tinha 24, mais de 100 milhões quando tinha 25, e isso não era importante, porque nunca fiz nada por dinheiro” — Em 1996, no documentário para a televisão O triunfo dos nerds

 Amorim Leite

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Um pequeno milagre

Há dias vinha elaborando mentalmente um novo texto para postar aqui. Quando me sentei diante do computador para escrevê-lo, percebi que o livro ao qual eu faria referência sumiu de minha biblioteca. Ao procurá-lo, achei outro, muito interessante, que ganhei de presente há alguns anos.

Pequenos milagresCoincidências extraordinárias do dia a dia, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, é o nome do livro. Editado por GMT Editores (Sextante), a obra é o testemunho de várias pessoas que souberam ver em situações aparentemente casuais um pequeno milagre. Aqui vai um dos textos publicados ali.

“Como grande industrial do vestuário no Canadá, vendi algumas mercadorias a uma pequena empresa varejista de Montreal, de propriedade de um membro de minha sinagoga. Eu havia sido informado de que ele era um homem direito e respeitável que mantinha um negócio honesto e, por isso, dei-lhe crédito. De acordo com os termos combinados inicialmente, ele deveria, sessenta dias após o recebimento da mercadoria, me pagar sua conta de US$ 8.724. Fiquei muito desanimado quando o contador me disse que ele estava atra-sado no pagamento.

Mandamos três avisos, que ele ignorou. Afinal, peguei o telefone e liguei para ele.

— O que está acontecendo? – perguntei.

— Olhe – disse ele, com um suspiro. — Sinto muito, mas não tenho como pagar minha dívida. Os negócios estão péssimos e eu talvez precise fechar. Não me resta um centavo.

Eu não sabia o que fazer e fui consultar meu rabino.

— Será que eu deveria recorrer à justiça? Afinal de contas, US$ 9.724 não é uma quantia irrisória. Realmente preciso desse dinheiro! Por outro lado, sinto pena dele. Está passando por uma maré baixa. O que é que ele realmente pode fazer? – O rabino não me deu nenhum conselho muito concreto.

— Siga o que seu coração mandar! – recomendou.

Lutei comigo mesmo por muito tempo e finalmente concluí que não tinha coragem de processar o homem. Mais tarde, soube que ele havia fechado a loja. Mudou-se para outro setor da cidade, entrou para outra sinagoga e eu perdi contato com ele.  Alguns anos se passaram e minha empresa prosperou.

Um dia, recebi um telefonema de uma mulher, cujo nome não reconheci, que me perguntou se poderia vir ao meu escritório para me ver. Ao chegar, ela revelou sua identidade: era a filha do homem que ainda me devia R$ 8.724.

— Todos esses anos, meu pai sentiu uma culpa tremenda em virtude do dinheiro que lhe deve – disse ela. — Ele faliu e nunca pôde voltar a uma situação favorável. Ainda não tem dinheiro. – ela então tirou da bolsa uma joia, que me entregou.

Era uma pulseira de ouro cravejada de diamantes.

— É uma herança de família – disse-me ela. — Praticamente o único objeto de valor que resta a meu pai. Ele me pediu que lhe desse esta pulseira com um sincero pedido de desculpas e uma enorme esperança de que tenha algum valor. Ele não conhece o valor da joia, mas espera que ela lhe renda pelo menos parte do que lhe deve. – Àquela altura, eu não queria aceitar, mas ela insistiu.

Não conheço muito sobre joias, mas duvidei que a peça tivesse de fato algum valor. Joguei-a numa gaveta e me esqueci. Alguns dias depois, lembrei-me dela e a mostrei a meu pai, que também demonstrou total ceticismo quanto às suas possibilidades. Sugeriu, porém, que eu procurasse um especialista conhecido seu para obter uma avaliação.

O avaliador examinou a pulseira cuidadosamente e com vagar. Finalmente, depois de muito tempo, voltou-se para nós, animado:

— Esta joia é realmente valiosa! Muito mais do que vocês imaginaram. Para dizer a verdade, eu gostaria de comprá-la. Disponho-me a pagar US$ 8.724.

A quantia exata que o homem me devia!

                                                                     Patrick Simone

Comentário

No nosso mundo cão, alguém que age com generosidade pode acabar sentindo que foi feito de bobo. Por agir de modo correto, o empresário conquistou nitidamente os aplausos de uma força superior.”

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Dois pais e duas medidas

Grandes turmas de formandos às vezes se transformam em bicho-papão para mestres de cerimônias. Manter a disciplina de mais de cem formandos, de maneira que se tenha um evento digno de ser compartilhado com a família, não é muito fácil. E quando esses for-mandos são de direito, medicina ou enge-nharia, o desafio é maior ainda.

Uma das instituições de ensino que sempre trataram a colação de grau “festiva” como “oficial” eram as Faculdades Metropolitanas Unidas, atual UniFMU. Funcionava assim: as comissões de formatura contratavam as empresas para organizar a solenidade, mas, na lista da chamada nominal só constava o nome de quem estava em dia com as questões acadêmicas com a faculdade.

Para se ter ideia de como isso era levado a sério, o próprio secretário-geral da FMU, professor Celso Hamiltom de Camargo, é quem fazia a chamada nominal. Cheguei a pre-senciar casos de formandos que só faltaram se ajoelhar diante dele em troca de o nome ser incluído na lista. Camargo era impassível, nada o fazia mudar de conduta. Uma vez, os pais de um formando de direito que moravam nos Estados Unidos vieram especialmente ao Brasil para assistir à cerimônia de colação de grau do filho. Este não informou que estava retido por ter sido reprovado em uma matéria.

Para ajudar a tirar o jovem de maus lençóis, os coordenadores do evento sugeriram a ele que, mesmo sem ser chamado, fosse até a mesa e recebesse o canudo entre um colega e outro, pois, assim, pelo menos, os pais o veriam “colando grau”. Aliás, esse mesmo artifício foi usado em outras ocasiões e em situações semelhantes. A bem da verdade, registre-se, o secretário-geral tinha uma justificativa paras sua rigidez. Segundo contava, em evento em que ele não estava presente, um aluno reprovado chamado para colar grau entrou com processo contra a FMU alegando que tinha direito ao diploma uma vez que tinha par-ticipado da formatura. Como prova, anexou vídeo e álbum de fotos.

Numa solenidade de colação de grau de direito da FMU, com cerca de quatrocentos for-mandos participando, deu-se também o que conto a seguir. O Palácio das Convenções do Anhembi, lotado. Os bacharelandos, indóceis. Durante a chamada, o barulho que faziam era tanto que pouco se ouvia o nome dos formandos ser anunciado. Camargo não estava nem aí, ia chamando, chamando… Quando terminou seu trabalho, voltei à tribuna. Logo que reiniciei, um senhor bem vestido, aparentando ter uns cinquenta e poucos anos de idade, saiu de seu lugar no auditório e veio em direção à tribuna. “Quem é que manda nessa ‘ba-gunça’?”, perguntou-me lá de baixo. Respondi que era a direção da faculdade e que eu não podia fazer nada, pois era apenas o mestre de cerimônias. Com ares de que estava real-mente inconformado com que via, voltou para o lugar em que estava assentado.

Poucos dias depois, li no Jornal da Tarde, na seção “São Paulo Pergunta”, uma carta de um pai de formando reclamando do comportamento de “futuros advogados em solenidade de formatura no Anhembi”. A julgar pelo tema da reclamação, concluí que o missivista até poderia ser aquele senhor que havia falado comigo. A resposta à carta também estava lá, assinada pelo presidente da comissão de formatura. Por ser do período da manhã, ele dizia que os “malcomportados” eram os da noite (ou vice-versa, não me lembro mais).

Nessa mesma época, fui contratado para apresentar a colação de grau de uma turma da então Faculdade de Engenharia Industrial (FEI). Preocupada com o comportamento dos engenheirandos, a direção da faculdade municiava os MCs com um texto de advertência para ser lido quando sentisse que precisava dar um basta à conduta dos formandos. Na-quela noite, até que o evento estava transcorrendo com tranquilidade e dentro do que se esperava de uma formatura de engenharia. Mesmo assim, o presidente da mesa solicitou que a mensagem fosse lida. Relutei pelo menos umas três vezes. O texto dizia, em síntese, que, se os formandos não se comportassem adequadamente, a mesa iria se retirar.

Li o comunicado a contragosto. Por parte dos formandos, recebi vaias, claro. Os convidados se dividiram. Parte aplaudiu e parte vaiou também. Entre os que vaiaram, sobressaiu-se um pai. De onde estava no auditório, gritou: “Não concordo com essa atitude da faculdade. Os formandos têm o direito de fazer o que quiserem. A festa é deles”. Em protesto, retirou-se.

Dois pais e duas medidas. Duas visões diferentes de um mesmo evento. Quem está certo?

Amorim Leite

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O broto, a flor e o menino

Olhava as plantas do jardim de casa e me encantava com as flores de alguns vasos, principalmente dos de orquídeas. Em um de-les não havia flores. “Você viu a quantidade de broto deste vaso?”, perguntou-me Anaí, minha mulher, deixando claro que isso é o que importa na planta.

Me demorei a identificar os tais brotos valiosos. Estavam presentes em vários vasos de diferentes espécies. Eram minúsculos, quase invisíveis…  Mas, aos olhos de uma boa “jardineira”, eram evidentes.

Já tinha me decidido a escrever sobre esse tema e estava trabalhando a ideia em minha cabeça quando vi pela tevê a notícia de que um garoto de doze anos pediu ajuda à polícia porque, trancado pela mãe, estava em casa sozinho com dois irmãos. No apelo ao atendente da PM, ele disse que a irmã, de cinco meses, estava com fome e ele não sabia o que fazer.

Desde a primeira vez que vi a matéria, fiquei impressionado com a desenvoltura e frieza daquele menino. Em gravação divulgada pela Polícia Militar, ele dizia:

— Moço, é que a minha mãe me deixou preso aqui com meus irmãos. E quase sempre ela faz isso. A minha irmã está sem leite, sem alimento. O que eu poderia fazer?

Ali estava um dos milhões de brotos brasileiros cantados por Milton Nascimento em Coração de estudante. Aquele menino, um broto em sua essência, clamava por ajuda para que pudesse se transformar um dia em flor ou fruto. Em vaso plantado na periferia de São Paulo, ele estaria até agora despercebido não fosse aquela ligação para a polícia.

A quem cabe a tarefa de cuidar desse jardim imenso espalhado por aí? Brotos como esse menino e seus irmãos poderão morrer se não receberem cuidados. Quem pode levar a eles a água da educação, o adubo que alimenta, o Sol que ilumina e o carinho que transforma?

Precisa-se, urgente, de bons jardineiros para “cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto”. Precisa-se, urgente, de homens e mulheres que possam identificar, principalmente em vasos malcuidados, brotos que podem se tornar engenheiros, médicos, professores, psicólogos e outros frutos.

Alguém se habilita?

“Ensina o menino no caminho em que deve andar, e assim, quando envelhecer, não se desviará dele”. (Bíblia, Provérbios 22.6)

Amorim Leite

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