Clichês, linotipo, telex, malote…

Acabei de receber de um amigo, o Ezequiel, uma news-letter sobre os 25 anos de sua empresa a serem com-pletados em dezembro. Conheci o Ezequiel quando era produtor gráfico na Spínola Formaturas, nos anos 1980. Ele era um dos fornecedores de clichê. Na época, tra-balhava com o tio, na Clicheria Atlantis. Em 1985, abriu sua própria empresa, a Cliart, e com ela está até hoje.

Quando li a news, fui obrigado a voltar ao passado. Talvez você que me lê agora não saiba o significado das palavras que dão título a este post, mas todas elas fazem parte do mundo da formatura. Clichê, por exem-plo, ainda é muito utilizado na impressão de convites especiais, incluindo os de formatura. Ele é o responsável pelos efeitos de relevo e também por aquelas impressões metalizadas (hot stamping), o que só se consegue em tipografia.

Na época em que trabalhei na Spínola, a empresa tinha escritórios regionais em Recife, Curitiba e Rio de Janeiro. A comunicação entre a matriz e esses escritórios era via telex e malote. Os convites eram impressos pelo chamado sistema a quente – tipografia.

A maioria das empresas tinha um mesmo fornecedor de composição em linotipos. Como o próprio nome sugere, trata-se de linhas tipográficas. Isso mesmo: cada linha do convite era fundida em chumbo. A linotipadora entregava essas linhas amarradas com um barbante. Era tarefa do tipógrafo “diagramar” esse material de acordo com o modelo do convite. Na Spínola, o encarregado da tipografia era insuperável. “Seu” Caetano dominava como nin-guém seu ofício. Conhecia todos os símbolos de cursos e logotipos de faculdades e univer-sidades do País. Se ele dizia que não tinha, podia-se acreditar.

Nesse tempo, também registrei algumas coisas sui generis. Certa vez, por telex, veio um pedido de inclusão de uma página no convite para “homenagem póstuma” a certo professor de uma faculdade do Norte do País. Dias depois, quando o convite já estava impresso, novamente via telex chegou a informação de que era para tirar a página, pois o tal pro-fessor não havia morrido, era engano…

Certa vez, mandamos o boneco — miolo do convite impresso rusticamente no prelo — para o cliente revisar. Quando voltou, via malote, do escritório do Recife, veio com poucas cor-reções anotadas à caneta. Corrigimos tudo de acordo com as indicações do cliente e o con-vite foi impresso e entregue. Todo esse processo, claro, levava meses. Quando já nem se pensava mais naquele trabalho, Machado, então gerente-regional, liga para dizer que não tínhamos feito todas as correções e que o cliente estava muito bravo e devolvendo o mate-rial no escritório! Pegamos as provas revisadas e comparamos: tudo tinha sido feito! Depois de tanto conversar e discutir, percebemos onde estava o problema. O cliente (presidente da comissão de formatura) anotou o que era para ser acrescentado e, simplesmente, apa-gou — e muito bem apagado —, usando borracha, o que queria que fosse tirado do convite.

O sistema a frio de impressão — offset — demorou a ser utilizado pelas empresas de for-matura. Hoje, com o advento do computador e da era digital, tudo mudou. Da comunicação às técnicas empregadas. Algumas empresas, inclusive, preferiram terceirizar a produção dos convites a ter uma gráfica própria.

Amorim Leite


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