Soneto sobre o tempo


Um dos textos que mais gosto de ler no momento do culto em colações de grau, principalmente das de cursos de exa-tas, é um soneto sobre o tempo. Sempre que o declamo, alguém me pede uma cópia.

Escrito pelo frei português Antônio das Chagas (1631-1682), ele é uma agradável brincadeira com as palavras ‘tempo’ e ‘conta’.

 Para quem aprecia belas composições poéticas, aqui está ele.

 

Soneto

Deus pede hoje estrita conta do meu tempo

E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.

Mas como dar, sem tempo, tanta conta

Eu que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,

O tempo me foi dado e não fiz conta.

Não quis, tendo tempo, fazer conta.

Hoje quero fazer conta e não há tempo.

Oh! Vós, que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis vosso tempo em passatempo.

Cuidai, enquanto é tempo em fazer conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,

Quando o tempo chegar de prestar conta,

Chorarão, como eu, se não der tempo.

Amorim Leite

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Onze dicas de Bill Gates

Bill Gates teria passado estas dicas, poucos anos atrás, quando ainda era o presidente da Microsoft, a universitários de uma escola americana. Não tenho como avaliar se são ou não de Gates as dicas. De todo modo, vale a pena lê-las. Reproduzo aqui o texto como o encontrei na Internet.

Dica 1 — A vida não é fácil — acostume-se com isso.

Dica 2 — O mundo não está preocupado com a sua autoestima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de se sentir bem com você mesmo.

Dica 3 — Você não ganhará R$ 20 mil por mês assim que sair da escola e você não será vi-ce-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha con-seguido comprar seu próprio carro e telefone.

Dica 4 — Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele terá pena de você.

Dica 5 — Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posi- ção social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

Dica 6 — Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então, não lamente seus erros, aprenda com eles.

Dica 7 — Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridí-culos”. Então, antes de salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os er-ros dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

Dica 8 — Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas, você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isso não parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar a bola, está despedido, RUA!!!!! Faça certo da primeira vez.

Dica 9 — A vida não é dividida em sementes. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Dica 10 — Televisão NÃO É vida real. Na vida real, as pessoas têm de deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

Dica 11 — Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você ir trabalhar PARA um deles.

Amorim Leite

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Normalizar é preciso


Certa vez, uma empresária do ramo de eventos me disse: “Formatura é uma festa cívica e deve ser conduzida com bastante se-riedade dentro dos estatutos de cada esco-la”. O problema é que nem toda escola tem regulamentos sobre o assunto. Se a empresa é séria e sabe conduzir bem a contratação desde o primeiro contato até o último, o re-sultado alegra a todos os envolvidos, incluin-do a própria instituição de ensino.

A Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), ex-Imes, instalada em São Paulo, é uma das poucas instituições de Ensino Superior que têm manual para o assunto. A normalização está à disposição em seu site: Clique aqui para fazer download

Conversei pessoalmente com Carmem Velloso, responsável pela elaboração do texto do manual. Formada em relações públicas há dez anos e coordenadora de Eventos da uni-versidade, ela conta em sua entrevista que o relacionamento entre USCS e as empresas melhorou muito desde a elaboração do manual. O texto inclui desde juramentos específicos para cada curso até modelo de estatuto para a comissão de formatura. Assista à entrevista na íntegra clicando no vídeo abaixo.

Amorim Leite

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O sapo não lava o pé

O sapo pode não lavar o pé, como diz a can-ção infantil, mas isso não o impede de se formar também. Veja só este caso.

Novamente estamos no Palácio das Con-venções do Anhembi, em São Paulo. Era a solenidade de colação de grau dos for-mandos da Faculdade de Comunicação Social do então Instituto Metodista de En-sino Superior (IMS), hoje Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Já estávamos caminhando para mais da metade do evento, quando percebi a agitação do lado dos formandos. Para quem nunca foi a uma formatura no Anhembi, vale dizer que os formandos ficam no palco. À frente deles, a mesa solene. À direita, olhando-se para o palco (na visão de quem está na plateia), na mesma direção da mesa, fica a tribuna.

Não me lembro exatamente em que parte do cerimonial estávamos. De repente, um sapo aparece. Estava embaixo das cadeiras dos formandos. Quando vi aquilo, pensei: o Anhembi está mesmo decadente, nem ralos estão tampados… por isso, os sapos do rio Tietê vêm parar aqui. Ainda estava concluindo esse pensamento, quando vi mais sapos. Um, dois, cinco, dez… Parei de contar e dei um jeito de aquilo não atrapalhar o andamento do evento.

Mas não adiantou. O bombeiro de plantão a serviço do Anhembi, sem se dar conta do que estava acontecendo, entrou no palco e ainda chutou um dos anfíbios. Os professores sentados à mesa solene levantavam as pernas de medo. Os formandos só riam. Roberto Duailibi, patrono da turma de publicidade, se não me falha a memória, não gostou do que viu e se retirou (ele já tinha discursado). O patrono da turma de jornalismo era Carlos Nascimento, apresentador do Jornal Nacional, por isso se atrasou. Chegou exatamente na hora em que os sapos pulavam. Passei-lhe a palavra e ele deu conta do recado, incluindo em sua mensagem alguma coisa ligada a sapos. Já se sabia, então, que a presença daqueles anfíbios na colação era fruto da mente criativa dos formandos.

Como não havia outro jeito, prosseguimos com a solenidade. Era hora de se homenagear os pais. Embaixo, na primeira fila, ficavam os integrantes do coral. Naquela noite, a música estava por conta do Dimensão 5. Aos vocalistas se juntaram alguns dos sapos. Wilma, em pé, posicionou-se para cantar. Seus colegas continuaram sentados. E os sapos, agora, de frente para ela. “Perdoem a cara amarrada…”. E os sapos olhando para ela. “Perdoem a falta de ar…” E os sapos olhando para ela, como se entendessem o que a Wilma queria dizer com a canção de Ivan Lins. Os demais integrantes do grupo, no entanto, não se continham: riam o tempo todo, pois, por mais que se esforçasse, a vocalista não conseguia conter o medo de que um daqueles novos fãs pulasse em suas pernas. Pelo jeito, a música agradou também aos anfíbios anuros e nada aconteceu à vocalista. Terminada a música, uns bons goles de água a acalmaram.

No ano seguinte, conversei com o diretor do IMS sobre a ocorrência. Soube então que os sapos eram cinquenta rãs. E a ideia de se levar convidadas tão exóticas para a celebração foi de um formando. A direção da instituição identificou o jovem, não liberou seu diploma e ainda chamou os pais para uma conversa. Por ter ascendência oriental e criação mais rígida com relação a alguns princípios, o formando acabou sendo punido também pelos pais.

Moral da história: mestre de cerimônias, além de ter jogo de cintura, precisa engolir sapos!

Amorim Leite

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O professor que cantava e dançava

Nesses mais de trinta anos como mestre de cerimônias, presenciei muita coisa diferente. Algumas, engraçadas; outras, tristes; e vá-rias bizarras. Eu mesmo fui protagonista de muitas delas. Começarei neste post a narrar alguns dos casos que mais me marcaram.

Certa vez, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, a presidente da comissão de formatura me apresentou a um professor na sala VIP. Ele era o patrono. A turma era de Psicologia da hoje Universidade Paulista (Unip) – na época, Faculdades Objetivo. Depois de me apresentar seu professor, a formanda complementou: “Ele não é uma graça?”.

Fui para a tribuna. Na hora dos discursos, anunciei: “Senhores e senhoras, com a palavra a digníssima patrona da turma, professora-doutora…”. E parei. Ao mesmo tempo que ouvia um zum-zum vindo da direção dos formandos, baixei meus olhos para o papel e percebi o erro. E recomecei, empostando ainda mais a voz para enfatizar: “Senhores e senhoras, com a palavra o digníssimo patrono da turma, professor-doutor…..”. Aplaudidíssimo pelos formandos, o patrono se dirigiu à tribuna e começou sua fala:

 – Eu não sei fazer discurso! (disse, de maneira muito feminina e delicada). Vou declamar uma poesia para meus alunos!

Por mais uns cinco ou seis anos pelo menos, tive a oportunidade de apresentar formaturas da Unip com esse professor sendo patrono ou paraninfo. Na última vez, no Auditório Elis Regina, ele chegou a cantar em português, inglês e francês a música I just called to say I love you (Só chamei porque te amo), além de dançar. Era uma figura carismática. Seus alunos o adoravam. Poucos anos atrás, soube que havia falecido. Deixou saudades.

Amorim Leite

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Patrona ou ‘patronesse’? Qual é o certo?

Esta pergunta me é feita frequentemente: qual é o feminino de patrono? Sempre respondo que é pa-trona. Mas nem sempre a resposta satisfaz. A patrona, em geral, não sei a razão, não gosta de ser chamada assim. O fato é que, pela definição dos dicionários, patronesse, além de ser palavra estran-geira (francesa) não expressa suas atribuições.

 Vejamos o que o Aurélio diz:

 Patrono

V. padroeiro (2).
2.Advogado, em relação a seus clientes.
3.Na antiga Roma, o senhor, em relação aos seus libertos.
4.Bras. Escritor, artista ou cientista, sob a égide do qual estão as diversas
cadeiras, nas academias e instituições congêneres:
A cadeira no 23 da Academia Brasileira de Letras, da qual
Machado de Assis é o fundador, tem como patrono José de Alencar. 

5.Bras. Chefe militar ou personalidade civil escolhida como figura tutelar de
uma força armada, de uma arma, de uma unidade, etc., cujo nome mantém vivas
tradições militares e o culto cívico dos heróis:
Caxias é o patrono do Exército, Tamandaré é o patrono da
Marinha e Santos Dumont é o patrono da Aeronáutica.

Patrona

Protetora, padroeira.

 Patronesse (Fr)

Senhora que organiza ou patrocina festa ou campanha de beneficência.

 A bem da verdade, saliente-se que o termo “patrona” aparece no dicionário duas vezes. Ele também significa cartucheira, bolsa de couro; patuá, etc. Porém, o que nos interessa aqui é chamar a atenção do leitor para o fato de que patronesse não tem o mesmo significado que patrono. Ou seja, o patrono não faz o que ela faz e vice-versa. Já patrona, sim. Ela é “protetora”, “padroeira”, justamente o que patrono é.

Ultimamente, tenho seguido o seguinte critério nos eventos que apresento: converso com a
patrona, pergunto a ela como prefere ser chamada e me acerto. Ficará muito esquisito chamá-la para falar como “patrona” e, no decorrer do seu discurso, ela dizer: “Fico muito honrada em ser a ‘patronesse’ desta turma…” O pior é que, mesmo combinando antes, isso já aconteceu.

Aproveitando o tema, aqui vão outros termos utilizados em formaturas acompanhados de suas definições.

Grau – Título obtido ao completar-se o curso universitário: Tem o grau de doutor em medicina.

Jurador – Que ou aquele que jura ou tem por hábito jurar.

Alguns dicionários mais antigos trazem o termo “juramenteiro” também. Mas NENHUM registra “juramentista”. Portanto, é melhor que essa palavra seja riscada do roteiro. O pior é que tem colegas mestres de cerimônias e coordenadores de eventos advogando seu uso como certo. Olhar o dicionário de vez em quando não faz mal a ninguém.

Padrinho – 1. Testemunha de batismo, casamento, duelo, etc. 2. Aquele que acom-panhava o doutorando a receber o capelo. 3.Protetor, patrono, paraninfo.

Paraninfo – 1. Padrinho 2. Em certas solenidades, pessoa a quem se prestam home-nagens e que, em geral, as retribui e agradece proferindo discurso.

Amorim Leite

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Recepção ou decepção? Seja cordial sem ser ousada!

O trabalho das recepcionistas é fundamental na organização de um evento. Na linha de frente, recebendo os formandos e seus fami-liares, elas são as responsáveis pela primeira imagem da formatura. E se é verdade que a primeira impressão é a que fica, as falhas dessas profissionais não só podem preju-dicar o evento como também comprometer a imagem da empresa organizadora.

As recepcionistas têm tarefa diversificada e, no entanto, quase sempre são pouco treinadas para realizá-las. Na colação de grau, por exemplo, depois de receberem os convidados especiais e conduzi-los até as salas vip, de imprensa ou de apoio técnico, elas têm de ajudar na organização dos formandos e na formação da mesa solene. Depois, posicionadas em locais estratégicos (ao lado do mestre de cerimônias, junto da plateia e sobre o palco), a função é acompanhar o programa (cópia do roteiro na mão), sempre alerta no caso de ocorrer alguma alteração.

No baile, também há muito a se fazer. Sem deixar se levar pela descontração do ambiente, elas devem orientar os convidados e servir de apoio à festa. Além disso, cabe a elas indicar e levar os convidados à mesa reservada e organizar a fila dos formandos para a valsa. Para que todo esse esquema funcione bem, é preciso, em primeiro lugar, que as recepcionistas conheçam o local em que estão trabalhando e tenham à mão a ordem do dia. Sem contar que a quantidade dessas profissionais deve ser proporcional à de formandos. A cada cem pessoas são necessárias cinco recepcionistas. A proporção pode aumentar se o evento for de maior porte.

É errônea a ideia de que recepcionista tem ser bonita, alta e jovem. Claro que beleza não faz mal a ninguém. Porém, o que deve vir à frente é competência e profissionalismo. Outra coisa: ela não deve se valer de seu corpo para ser bem-sucedida. Formatura é evento empresarial e não precisa de moças do tipo “demonstradora” que aparecem em feiras de automóvel.

Um pré-requisito básico para quem quer atuar como recepcionista é saber falar corre-tamente o português. No mínimo, precisa ter o Ensino Médio, embora existam hoje profissionais bilíngues e até de nível universitário. Também é importante ter boa dicção, o que ajuda na comunicação com o público.

Moças bem-preparadas podem ser encontradas em empresas especializadas no recruta-mento desse tipo de mão de obra temporária. Quando contratadas nessas agências, elas têm treinamento prévio. Porém, mesmo assim, é necessário que a empresa de formatura realize um ensaio geral, dias antes, no local do evento, pois, embora já conheçam o salão, precisam visualizar a sua disposição – um evento difere do outro a cada dia.

Para supervisionar esse trabalho, é importante que a empresa de formatura mantenha um canal de comunicação permanente com as recepcionistas. Uma dica para melhorar esse contato é escolher entre elas uma coordenadora que centralize as decisões – isso pode ser feito levando-se em conta o tempo de experiência das contratadas. Também é preciso que os organizadores conheçam o papel dessas profissionais para que saibam cobrar delas um bom desempenho.

Recepcionando

11 regras básicas para serem cumpridas pela recepcionista no dia do evento:

1. Estar uniformizada com elegância e usar crachá de identificação;

2. Seu uniforme deve ser de cor neutra (saia ou pantalona escura e blusa clara).

3. Não usar minissaias ou decotes muito ousados. Barriguinha de fora, nunca!

4. Seu sapato tem de ser de salto baixo. Além de evitar barulho, ele cansa menos;

5. Usar maquiagem leve;

6. Se tiver cabelos compridos, precisam estar amarrados;

7. Ser atenciosa e sorridente sem ser ousada;

8. Não beber nem comer durante o trabalho;

9. Não mascar chiclete na frente dos convidados;

10. Não falar ao celular publicamente, a não ser que seja por motivo inerente à sua atividade no local;

11. Não formar grupinhos para conversar, nem sentar durante o evento.

Amorim Leite

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Erro de fábrica

Quem assiste a algumas solenidades de forma-tura, principalmente às festivas, provavelmen-te não entende muita coisa e nem consegue ou-vir os discursos – tanto dos homenageados co-mo dos representantes dos formandos. Mais com cara de bota-fora do que de solenidade, essas colações de grau realizadas em locais pú-blicos – justamente para que a sociedade co-nheça de perto os novos profissionais – tor-nam-se uma vitrina de jovens de comporta-mento, se não duvidosos, pelo menos inade-quados para aquele tipo de evento.

É comum os formandos chegarem bêbados para colar grau – já presenciei casos em que, na hora da chamada nominal para a entrega do canudo, o formando estar na enfermaria do auditório tomando glicose para amenizar o teor alcoólico de seu organismo. Também já vi formandos se “realizando” ao mostrar as nádegas para a plateia na hora em que passa em frente à mesa solene. Ainda vou escrever sobre outros absurdos de que tenho sido testemunha. Por ora, fico por aqui, pois meu objetivo é transcrever o artigo de José Ru-bens Naime sobre esse tipo de comportamento. Naime é médico, psicanalista e ex-professor de Psicopatologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Confira.

Apontando sintomas

A psiquiatria tem como objetivo fundamental o estudo dos fenômenos humanos individuais cuja expressão maior é o sintoma. A partir dos sintomas, identificamos o quadro clínico e, tendo isso por referência, passamos ao tratamento.

No caso em questão – comportamento durante solenidades de formatura – todas as hipóteses seguintes são válidas, ou, em linguagem psiquiátrica, todos esses “sintomas” são verdadeiros:

 1)      Os recém-formados são adultos-jovens em formação;

2)      Há desorganização dos valores morais do mundo atual;

3)      Há o medo de que, ao receber o diploma, não saibam o que fazer com ele ou não tenham onde realizar-se profissionalmente;

4)      Há o comportamento de público (apenas o dos formandos, não extensivo ao dos familiares e convidados; e

5)      Por ser um movimento de público, a plateia inibe a reação em cadeia, podendo haver também, como em todo lugar que o propicie, um “babaca” ou um “grupo de babacas”.

A psiquiatria em si apenas aponta “sintomas”. O “tratamento” fica por conta de cada psi-quiatra (obrigatoriamente, médicos que se especializam em psiquiatria). Como médico especialista em psiquiatria e analista seguidor das ideias de Carl Gustav Jung – sem deixar os valores próprios meus que são indissociáveis da minha profissão –, vou pelo caminho do entendimento, da compreensão, de uma dose de remédio e de muito amor pelas pessoas e suas distorções. Acreditando que sejam distorções, busco a compreensão dos porquês de tais distorções e, por certeza ou hipótese, luto no sentido de esclarecê-los e, esclarecendo-os, tento transformá-los em componentes de riqueza e não de repressão, julgamento e condenação.

Produto estragado

Nesse caso, o “sintoma” é o desprezo pelo diploma e por quem ajudou a obtê-lo. Temos três vertentes então: o comportamento pessoal e de grupo cujas raízes estão nos valores familiares; o comportamento de desprezo por um instrumento que deveria potencializar o indivíduo perante a sociedade e cujas raízes estão na faculdade ou universidade que o outorgam; e um comportamento de agressão aos que ajudaram a obtê-lo e cujas raízes estão na capacidade profissional, intelectual, moral e ética do corpo docente.

A partir desses “diagnósticos”, poderíamos passar ao “tratamento” ou tentar influir, questionar, criticar jornalisticamente essas três raízes que provavelmente se apresentam doentes porque estão abaladas – já que a família, a faculdade ou a universidade e o cor-po de pessoas que preparam tais jovens, ao  verem o produto de seu trabalho concluído, colhem xingamentos, desrespeitos na forma de interrupções, mostra das nádegas e ou-tros “carnavais” e alcoolias.

Se formos pensar que esse produto saiu “estragado”, deveríamos raciocinar como as grandes companhias que zelam por seus produtos e, portanto, por seus consumidores – o
estrago já vem da linha de produção. Não adianta esconder, jogar fora, destruir o produto e não modificar a linha de produção, desde o trabalhador que produz o produto (no caso, docentes) até a maquinaria (a faculdade ou universidade), sem deixar de passar pela matéria-prima (a família).

Quando se age só no “sintoma” ou no produto “estragado”, corre-se o risco de produzir “vítimas” ou “cristos”. Porém, não se mexe na máquina que os produz. O questionamento,
jornalisticamente, tem de ser feito profundamente e abrangendo pelo menos essas três vertentes.

Hipocrisia geral

Como medida terapêutica de emergência nos casos individuais ou mesmo grupais de transgressão, o diretor ou reitor têm o poder e autoridade para interromper a ceri-mônia, não permitindo que pessoas alheias à faculdade sejam agredidas ou acometidas de angústias e busquem soluções particulares e fora da esfera legal (no caso, os convi-dados ou mesmo mestre de cerimônias). Porém, a longo prazo, tais medidas punitivas e restritivas perdem o efeito se as famílias, a universidade e corpo docente não se questionarem e não forem questionados. Afinal, a existência de Cristo se deveu a um apodrecimento dos valores da época e ele foi “vítima”, não um “babaca” revolucionário. Serão os jovens de hoje babacas – o que não acredito e não aceito – ou serão vítimas da hipocrisia geral?

Nós os crucificaremos repetindo eternamente o mito cristão ou tentaremos entender que eles são a emergência de conflitos e insatisfações que a sociedade se nega a ver e dis-cutir? Eles, inconscientemente, assumem e se predispõem a ser julgados e feridos quan-do, acredito eu, estão denunciando coisas que nós médicos, jornalistas, padres, pastores, professores e políticos deveríamos fazê-lo. Estamos deixando que as eternas vítimas fa-çam isso por nós?

 Dr. José Ruben Naime

jrnaime@gmail.com

Tels. (17) 3423-1002, (11) 5549-5319 e 5571-6929

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Pais: eles sabem o valor da caminhada

Certa vez, Rolim Adolfo Amaro, presidente da TAM, quis homenagear um comandante de sua companhia em um discurso que fazia como patrono. Falava ele para uma turma de bacharelandos em administração da então Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).  A homenagem fazia sentido ali, pois uma dos formandos era justamente a filha de seu funcionário.

Disse Rolim: “Homenageio aqui meu comandante… sei que ele trabalhou muito para educar a filha…”. Antes mesmo de ele terminar o pensamento, uma formanda disse bem alto: “Meu pai também trabalhou muito para me formar!”. De pronto, o presidente da TAM respondeu: “Mas não lhe deu educação!”. Por uns poucos segundos, o grande plenário do Palácio das Convenções do Anhembi ficou em silêncio total. Ouviam-se aqui e ali apenas pequenos cochichos de apoio, espanto pela coragem de Rolim. Este, aliás, vivia seus dias áureos. Era quase que unipresente. Sua companhia era modelo de gestão…

No futuro, em outro post, contarei outros casos interessantes presenciados por mim ao longo de meu trabalho como MC. Hoje, cito esse episódio apenas para mostrar como é importante prestar homenagem aos pais na solenidade de colação de grau. Afinal, eles não apenas sabem o valor da chegada dos filhos ao pódio universitário como também sabem quanto tiveram (eles e os filhos) de caminhar para chegar até ali.

Na última segunda-feira, dia 4 de julho, o programa Mais Você, de Ana Maria Braga, proporcionou aos pais de um formando de medicina uma emoção muito forte. Quando assisti à reportagem, me lembrei mais uma vez de como é difícil formar um filho. De fato, é preciso trabalhar muito… Veja aqui a matéria do Mais Você.

Amorim Leite

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Repertório de músicas para colação

No texto anterior, citei duas músicas que, no meu ponto de vista, não devem ser selecio-nadas para homenagear os pais durante a sole-nidade de colação de grau – Pais e filhos (Re-nato Russo) e Como nossos pais (Belchior). Quero acrescentar aqui mais uma: Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil), canção que apa-rece frequentemente nos roteiros como opção para o momento de culto ecumênico.

O problema da música de Gil está mais na letra do que na melodia. Se tiver um tempinho, dê uma lida nela. O Deus dessa música está fora dos padrões apresentados na Bíblia, livro que os cristãos seguem. Para se falar com Deus, não se tem de “comer o pão que o Diabo amassou” nem “virar o cão”.

No que se refere a repertório, minha sugestão é que se tenham como referência as rádios Antena 1, Alpha FM e Nova Brasil FM. Se a música escolhida não tocar nessas emissoras, pense duas vezes antes de incluí-la na colação.

Listei abaixo as que considero as “mais mais”. À medida que me lembrar de outras, atua-lizarei a lista. Como disse no post anterior, sua indicação também é bem-vinda. Aliás, não só isso como também comentários.

Entrada dos formandos

  1. Carruagens de fogo (Vangelis)
  2. 1492 – A conquista do paraíso (Vangelis)
  3. Tema do filme Alexandre (Vangelis)
  4. Santorini (Yanni)
  5. Primavera (Vivaldi)
  6. Alegria (Circo de Soleil)
  7. Bolero (Ravel)

 Mensagem religiosa

  1. Pai nosso (João Alexandre)
  2. Se tu quiseres crer (tema de Moisés, o príncipe do Egito)
  3. Ave Maria (Gounod)
  4. Creio em ti
  5. Jesus, alegria dos homens

Homenagem aos pais

  1. Aos nossos filhos (Ivan Lins)
  2. Fascinação
  3. Paz do meu amor (Luiz Vieira)
  4. Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim)
  5. Emoções (Roberto Carlos)
  6. Como é grande meu amor por você (Roberto Carlos)
  7. Quando te vi (Beto Guedes)
  8. Versos simples (Chimarruts)
  9. De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel)

Entre discursos

  1. Coração de estudante (Miltom Nascimento e Wagner Tiso)
  2. Canção da América (Miltom Nascimento e Fernando Brant)
  3. Bailes da vida (Miltom Nascimento e Fernando Brant)
  4. Novo tempo (Ivan Lins e Vitor Martins)
  5. É preciso saber viver (Roberto Carlos)
  6. O Sol (Jota Quest)
  7. Gostava tanto de você (Tim Maia)
  8. Pra dizer adeus (Titãs)
  9. We are the Champions (Queen)
  10. Por enquanto (Renato Russo)
  11. Serra do luar (Walter Franco)
  12. É (Gonzaguinha)
  13. Nunca pare de sonhar (Gonzaguinha)
  14. O que é o que é (Gonzaguinha)
  15. Um homem também chora (Gonzaguinha)
  16. Acredito na rapaziada (Gonzaguinha)
  17. My way (Frank Sinatra)
  18. Perhaps Love (John Denver e Plácido Domingo)
  19. Imagine (John Lennon)
  20. The long and winding road (Beatles)
  21. Simply the best (Tina Turner)
  22. Reach (Gloria Stefan)
  23. Como uma onda (Lulu Santos)
  24. Dias melhores (Jota Quest)
  25. Tempos modernos (Lulu Santos)
  26.  Encontros e despedidas (Miltom Nascimento e Fernando Brant)
  27. Bridge over troubled whater (Simon e Garfunkel)
  28. What wonderful world (Louis Armstrong)
  29. Mais uma vez (Renato Russo)
  30. How can I go on (Freddie Mercury)
  31. Con te partiro (Andrea Bocelli)
  32. Você – só o estribilho (Tim Maia)
  33. Sapato velho (Claudio Nucci e Paulinho Tapajós)
  34. Andanças (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós)
  35. Travessia (Miltom Nascimento e Fernando Brant)
  36. Tocando em frente (Almir Satter)

Amorim Leite

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