Beca: moda medieval presente também no século 21

Formanda com beca e capeloA maneira como uma pessoa se veste – assim como os objetos de que se cerca – serve para demarcar o “espaço” que ocupa na sociedade. O carro importado e as roupas e acessórios de griffe, por exemplo, são indicativos de sua situação econômica. Do mesmo modo, certos trajes que usam espelham seu nível cultural. É o que acontece com a beca usada por professores e formandos durante a solenidade de colação de grau.

O termo beca é usado em nossa sociedade para definir o traje da pessoa que ensina e o da que recebe o ensinamento. É uma forma de comunicar, por ocasião da cerimônia de entrega (simbólica ou não) do diploma, quem são os estudantes e os professores que compõem a mesa solene.

Túnica longa (chega até os tornozelos), quase sempre de tecido preto, a beca é bem parecida com a roupa de juízes e clérigos. E isso não é mera coincidência. Tudo indica que a veste entrou nas universidades por influência da Igreja Católica, responsável pela fundação das primeiras instituições de Ensino Superior na Idade Média. Detendo o monopólio cultural, a Igreja passou a incentivar, a partir do século 11, a formação dos centros de estudos que resultaram em universidades.

Quando chegou ao meio estudantil, a túnica recebeu o nome de beca, foi adaptada, ganhando outra simbologia (pois não mais indicava função religiosa), e adquiriu novos acessórios. Em 1940, no Brasil, o Conselho Universitário definiu-a como composta da veste propriamente dita, da faixa e da capa, mas até hoje ela aparece cercada de detalhes como jabô, cordão e borla.

Segundo Nelson Speers, um dos mais importantes cerimonialistas brasileiros e autor de doze livros sobre o assunto, entre eles Cerimonial para relações públicas, a veste talar guarda resquícios da cultura europeia. No final do século 17, conta Speers, Luiz XIV assumia o trono francês. Bonito e poderoso, o rei usava tudo que estava ao seu redor para se engrandecer. Seu sorriso era para todos, a doença e a prevaricação eram públicas e a vaidade era levada à últimas consequências. Assim, querendo aparecer perante seus súditos, encomendou aos costureiros do palácio uma beca especial. Luiz XIV, conhecido como Rei Sol, tornou conhecidos a manga larga e o uso de rendas e jabôs na beca, toques
femininos que acabaram se incorporando à roupa até nossos dias.

Amorim Leite

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